intenção de voto

Cenário favorável a Lula pode significar reconhecimento de políticas do governo, diz cientista político

Mateus de Albuquerque aponta que neutralidade do Centrão mostra aposta na vitória do presidente Lula

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Daniel Ramalho/AFP

As convenções partidárias estão chegando ao fim e agora é possível ter um desenho mais definido da disputa eleitoral de outubro. A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (5) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,5% de aprovação, contra 49% de desaprovação. É a maior das últimas oito edições: em maio era 44% contra 53%. Entre os que avaliam o governo como ótimo ou bom, são 36,6%, e quem avalia como ruim ou péssimo, 37%.

Em relação à disputa eleitoral, no principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro fica com 35%. O principal movimento capturado pela pesquisa é o aumento da concentração de votos nos dois líderes. Juntos, Lula e Flávio concentram 78% das intenções de voto, o maior nível registrado pelo instituto nesta eleição. Ronaldo Caiado (5,7%), Renan Santos (4,7%) e Romeu Zema (2,6%) seguem distantes dos líderes.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que é possível fazer duas análises sobre o cenário: a primeira é de um favorecimento passageiro, que passa necessariamente por todas as trapalhadas envolvendo a família Bolsonaro, e a outra é a evidência de uma consolidação do governo Lula diante das políticas aprovadas mais recentemente, com destaque à isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e ao programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0. “A combinação desses dois méritos do governo pode estar gerando uma maioria um pouco mais consolidada.”

O analista também lista o que define como “os muitos erros da família Bolsonaro”: “A relação para lá de esquisita e entreguista da família Bolsonaro com Trump, as medidas da família Bolsonaro, as relações perniciosas da família Bolsonaro no caso do Banco Master, tudo isso mina a popularidade do Flávio e faz com que aqueles 10% indecisos, que são uma minoria decisiva da eleição, que tendem a pender tanto para um lado quanto para o outro, acabem pendendo mais para o Lula. Esse cenário eu chamo de passageiro porque é uma transição frágil. E, se qualquer coisa, escândalo que possa envolver o governo acontecer, esses votos podem ir para Flávio”.

Albuquerque avalia que o movimento do Centrão de declarar neutralidade no primeiro turno também reforça o favoritismo de Lula. “O eleitor do Lula está inseguro se ele vai ganhar, mas o União Brasil e o Progressistas acham que sim. A aposta que eles estão fazendo é que o Lula vai ganhar. E essa é a única razão pela qual eles não estão entrando na chapa do Flávio Bolsonaro. Isso, obviamente, para o senador é muito ruim”, aponta o cientista político.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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