A carteira de crédito rural inclusivo dos bancos chineses cresceu 7,55% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. O saldo devedor chegou a 14,99 trilhões de yuans (mais de R$ 12,4 tri) até o final de junho, segundo dados da Administração Nacional de Regulação Financeira (ANRF). O número representa o total de empréstimos rurais desse tipo já liberados pelos bancos e em prazo de pagamento.
A taxa média de juros em novos empréstimos da categoria caiu para 4,02% no semestre, queda de 0,36 ponto percentual frente a 2025.
Na China, o crédito rural inclusivo é uma categoria de empréstimos bancários destinada a pequenos produtores, cooperativas agrícolas, empresas e outros tomadores rurais com pouco acesso ao sistema bancário. O aumento desse crédito no primeiro semestre não foi espontâneo: em fevereiro de 2026, o Banco Popular da China (o banco central chinês) e outros três órgãos reguladores emitiram uma diretriz para criar um mecanismo permanente de suporte financeiro à revitalização rural, com objetivo explícito de prevenir o retorno à pobreza e reduzir o custo do crédito no campo.
Entre as medidas, o teto do microcrédito para famílias que saíram da pobreza foi duplicado, de 50 mil yuans (cerca de R$ 41 mil) para 100 mil yuans (cerca de R$ 83 mil). Os bancos passaram a oferecer empréstimos baseados na reputação de crédito do tomador, sem exigir bens como garantia.
Os empréstimos para o setor de grãos cresceram 15,81% no semestre, somando 5,91 trilhões de yuans (cerca de R$ 4,9 tri) ao fim de junho, segundo a ANRF. Só o Banco Agrícola da China aumentou em 28,2% o crédito ao setor de grãos desde o início do ano e registrou alta de 18,1% nos empréstimos ao setor rural no semestre.
O Banco de Desenvolvimento da China liberou 25,9 bilhões de yuans (cerca de R$ 21 bi) em crédito agrícola, um crescimento de 111% sobre o mesmo semestre de 2025, com foco em terras agrícolas de alta qualidade, infraestrutura rural moderna e fazendas estatais.
Recorde nos grãos de verão
Na última semana, o ministério fez um balanço do desempenho do setor rural no primeiro semestre deste ano. A produção de grãos de verão de 2026 superou os 150 milhões de quilos pela primeira vez, disse o vice-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Zhang Xingwang, em coletiva do ministério em 24 de julho. O resultado foi obtido apesar do plantio de trigo ter ocorrido com 15 a 20 dias de atraso por conta das chuvas no outono de 2025 e de várias rodadas de chuva durante a colheita. Para garantir a colheita, mais de 80 mil colheitadeiras foram mobilizadas durante 22 dias consecutivos, encurtando o período de colheita concentrada em 4 a 5 dias em relação ao padrão histórico, disse Zhang.
O plantio de grãos de outono, que responde por cerca de 75% da produção anual total, deve manter uma área igual ou levemente superior à de 2025, com condições de lavoura descritas como “normais em geral” pelo ministério.
Emprego e combate ao retorno à pobreza
O governo central destinou 177 bilhões de yuans (mais de R$ 146 bi) para apoiar indústrias e emprego em regiões menos desenvolvidas no primeiro semestre, primeiro ano da chamada fase normalizada do combate ao retorno à pobreza, segundo Zhang. Mais de 32 milhões de trabalhadores provenientes de famílias anteriormente em situação de pobreza estavam empregados até o fim de junho, dos quais mais de 13 milhões fora de suas províncias ou regiões de origem e cerca de 19 milhões em suas províncias de residência.
Desde que a China declarou a erradicação da extrema pobreza, em 2021, o governo monitora o nível de emprego da população economicamente ativa entre os quase 99 milhões de pessoas retiradas da pobreza entre 2013 e 2020. Os 32 milhões são justamente parte desse segmento: as pessoas em idade e condição de trabalhar que estão efetivamente empregadas.
