O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) anunciou nesta terça-feira (04) a criação da Joint Task Force Western Hemisphere (JTF-WHEM), uma força-tarefa multinacional que reunirá militares estadunidenses e de outros 18 países integrantes da Coalizão das Américas contra Cartéis (Americas Counter Cartel Coalition – A3C).
Segundo o Southcom, a nova estrutura militar será responsável por coordenar operações militares conjuntas sob o pretexto de combater organizações criminosas transnacionais e ampliar a cooperação regional em segurança.
O comando também está à frente da implementação do Escudo das Américas, iniciativa que tem ampliado a interferência militar dos Estados Unidos na região, sendo alvo de críticas de organizações de direitos humanos e especialistas em direito internacional.
A força será comandada pelo major-general dos Fuzileiros Navais, Kevin Jarrard. Segundo o comunicado oficial do Comando Sul, a JTF-WHEM atuará como centro operacional.
A iniciativa visa à integração de inteligência, vigilância, reconhecimento e planejamento militar, além de reforçar o compartilhamento de informações, ampliar treinamentos conjuntos, apoiar operações de interdição marítima e fortalecer as capacidades dos países parceiros.
Francis L. Donovan, que está à frente do Southcom, afirmou em comunicado que a nova força-tarefa reforça a capacidade de os Estados Unidos e seus aliados trabalharem de forma integrada para enfrentar ameaças na região. “A JTF-WHEM fortalece nossa capacidade de trabalhar ao lado de aliados e parceiros confiáveis, sincronizar capacidades militares e aplicar pressão sustentada contra as redes que ameaçam nossa segurança coletiva”, disse.
O comandante ainda classificou a estrutura como o “braço operacional” do Southcom para enfrentar ameaças no hemisfério e afirmou que, junto aos 18 países da coalizão, a iniciativa “está mudando a forma como enfrentamos essas ameaças”.
Escudo das Américas
O anúncio concretiza uma diretriz apresentada pelo presidente Donald Trump durante a cúpula de lançamento do Escudo das Américas, realizada em março deste ano.
Na ocasião, os países aliados concordaram em ampliar a cooperação regional para combater o crime organizado, o narcotráfico e a imigração irregular, enquanto o Pentágono recebeu a missão de estruturar um mecanismo permanente de coordenação militar entre os participantes.
A criação da força-tarefa ocorre em meio ao aprofundamento da estratégia de segurança dos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe, além da ameaça de interferência no processo eleitoral brasileiro.
Em fevereiro de 2025, Washington passou a classificar diversos grupos criminosos da região como organizações terroristas.
Meses depois, o Southcom iniciou uma campanha de ataques contra embarcações classificadas pelos Estados Unidos como “narcoterroristas”. Segundo balanço da AFP, essas operações já contabilizam dezenas de ofensivas e centenas de mortos.
Além das operações militares, o Escudo das Américas impulsionou iniciativas de cooperação em segurança entre governos da região. Equador, Argentina, Guatemala e Panamá anunciaram acordos para intercâmbio de modelos de segurança e experiências no sistema penitenciário, incluindo iniciativas inspiradas em El Salvador. Segundo a agência de notícias AFP, Colômbia e Peru também manifestaram interesse em aderir à coalizão.
