Entre idas e vindas no discurso, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), terminou fora da disputa ao governo de Minas Gerais, por decisão de seu partido.
“Cleitinho segurou para afirmar-se como candidato por mais de um ano e isso foi uma estratégia. Uma estratégia que o permitiu não ter que responder como candidato ao governo de Minas e o preservando de vários embates. E com isso segurou a sua popularidade e a sua liderança nas pesquisas. Mas as ações dos últimos dias não foram nada estratégicas”, analisa o pesquisador e cientista político Malco Camargos, em entrevista ao Brasil de Fato MG.
“Cleitinho parece muito mais alguém descontrolado do que alguém que age estrategicamente. Ele tem dado sinais bastante distintos em relação aos seus movimentos nos últimos dias, o que mostra muito mais um erro de estratégia do que uma construção para chegar em algum lugar”, continua o especialista.
Nas pesquisas, o nome do senador é um dos mais fortes. Segundo levantamento Genial/Quaest divulgado na semana passada, ele lidera os cenários em que é incluído, com cerca de 35% das intenções de voto.
Sem ele na disputa, porém, o quadro muda. Alexandre Kalil (PDT) passa a liderar numericamente, com 15%, seguido por Patrus Ananias (PT), com 13%, empatados na margem de erro, enquanto o vice-governador Mateus Simões (PSD) aparece com 9%. O número de eleitores indecisos também cresce de forma expressiva.
Direita dividida
Um dos nomes ventilados pela direita e extrema direita para essa disputa é Marcelo Aro (PP), que deve ser apoiado pelo Republicanos. Ele é o ex-secretário de Estado de Governo e da Casa Civil de Minas Gerais.
Votos de Cleitinho devem ir para vários candidatos
“Marcelo Aro sabe que estava com o espaço restrito na candidatura do senado, no qual o alinhamento com a candidatura presidencial faz muita diferença, por causa da polarização afetiva, o deixando então com chances pequenas de ser eleito. A mudança para governador pode fazer muita diferença, já que não tem ainda um conhecimento ou penetração em todo o estado”, avalia Camargos.
Vale lembrar, segundo o cientista político, que Aro deve sofrer uma campanha de desconstrução do seu nome, liderada principalmente por Mateus Simões, que se opôs à sua candidatura.
Dificilmente, porém, o capital eleitoral de Cleitinho será transferido para alguém em relação à campanha de governador, pondera Camargos.
“A distribuição de votos de Cleitinho passa ainda também por desconhecimento. O eleitor tinha Cleitinho como opção. Na retirada dele, passa a olhar para outros nomes. A composição dos votos do Cleitinho pode ser olhada não só pela distribuição em relação a nomes, mas pelo perfil ideológico de quem se dizia escolher o senador. Cleitinho tinha mais eleitores de direita, isto é fato. Mas também tinha eleitores que se consideravam de centro e também eleitores que se consideravam de esquerda”, analisa.
A dúvida, hoje, é quem será o candidato de direita, segundo ele. “Matheus Simões, apesar de ter tentado ser o representante do bolsonarismo no estado, fracassou nessa estratégia. De outro lado, Marcelo Aro, mesmo que tenha o apoio do PL, é muito mais vinculado à estrutura política do centrão do que à ideologia de quem defende a direita. Então, Minas pode ficar nesta eleição sem um representante típico do bolsonarismo. E a dúvida será qual a direção que estes vão tomar com este cenário que está se apresentando nessa eleição”, sinaliza.
Gabriel Azevedo, que tenta a disputa pelo MBD, continua Camargos, ainda não é um candidato competitivo, embora conte com uma boa oratória e boa participação nos debates, “mas o desempenho eleitoral dele nunca teve um grande resultado”.
“Se, porventura, na frustração de todos os outros candidatos, Gabriel conseguir encantar os mineiros, ele passa sim a ter chances nesta eleição. Mas o histórico das eleições em Minas e a falta de grupo de sustentação, de apoio ao Gabriel, dificilmente dá para fazer o prognóstico de crescimento a ponto de se tornar um candidato muito competitivo neste pleito”, afirma.
Campo progressista
Patrus Ananias, pelo campo progressista, entraria nesta eleição com um sonho de alcançar o segundo turno numa eventual disputa contra Cleitinho, mas agora o jogo muda, com cenário de traições no campo da direita, com o rompimento de Marcelo Aro e de Mateus Simões e, em especial, com a saída do senador do Republicanos.
“E nesse cenário, a trajetória do Patrus, alguém que teve a vida inteira na política e sempre com o mesmo propósito e sem nenhum escândalo ou denúncia de corrupção ou mau uso do dinheiro público, o torna alguém diferente dos demais e isso pode favorecer a sua candidatura, sendo capaz, inclusive, de superar a má avaliação que Pimentel deixou enquanto foi governador do Estado”, chama a atenção.
