Respondendo ao BdF

Em meio à crise diplomática, Amorim diz que é preciso separar Milei do povo argentino

Apesar do rebaixamento das relações entre os países, assessor de Lula diz que relação com o vizinho ultrapassa Milei

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Embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais
Embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais | Crédito: Mauro Ramos/Brasil de Fato

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que a relação entre Brasil e Argentina não pode ser reduzida aos atritos entre o governo e Javier Milei. Ao Brasil de Fato, o ex-chanceler defendeu que Brasília mantenha o diálogo com o país vizinho, apesar das divergências políticas com a Casa Rosada.

“É preciso distinguir Milei do povo argentino”, resumiu Amorim ao ser questionado pelo BdF sobre os atritos diplomáticos entre os dois países. Ao ser questionado sobre a subida de tom por parte dos hermanos, o embaixador sinalizou que a resposta do Itamaraty, que repudiou as falas de Milei, já foi suficiente. “Falam por si só”.

A declaração ocorre em um momento de aprofundamento do desgaste nas relações entre os dois países. Desde que assumiu a Presidência da Argentina, Milei passou a adotar um discurso hostil ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegando a fazer ataques pessoais ao petista durante a campanha e após a posse.

Nos últimos meses, Brasília também acompanhou com preocupação movimentos do governo Milei de aproximar a política externa argentina dos Estados Unidos e de enfraquecer mecanismos de integração regional. Apesar da deterioração política, o Palácio do Planalto avalia que a Argentina permanece como um parceiro estratégico para o Brasil, tanto pela integração econômica quanto pelo papel exercido no Mercosul.

A diplomacia brasileira busca assim preservar as relações de Estado, evitando transformar divergências entre governos em uma crise permanente entre os dois países, sem deixar de responder aos ataques.

Relação rebaixada

O Brasil decidiu, na terça-feira (4), retirar indefinidamente seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, e rebaixar o nível da relação bilateral com a Argentina para o cargo de encarregado de negócios. O governo deve manter Bitelli em solo brasileiro enquanto Javier Milei mantiver as agressões diretas ao presidente Lula e a outras autoridades do país.

A determinação sem precedentes na história diplomática de ambas as nações responde aos contínuos insultos lançados pelo mandatário argentino de extrema direita. Recentemente, Milei chegou a usar palavras de baixo calão em entrevista à imprensa de seu país, chamando Lula de “ladrão”, “corrupto”, “prisioneiro” e “lixo socialista”.

A medida foi formalmente comunicada ao embaixador argentino em Brasília (DF), Daniel Raimondi, deixando nas mãos da Casa Rosada a avaliação da continuidade de seu próprio representante no território brasileiro.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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