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‘Ainda estamos patinando no que se refere à qualidade da educação básica’, diz professor

Thiago Esteves afirma que é preciso investir em infraestrutura e formação de professores, além de valorizar categoria

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Relatos apontam que os conflitos ultrapassaram o campo administrativo e passaram a interferir na rotina pedagógica e nas relações entre os profissionais da escola.
Relatos apontam que os conflitos ultrapassaram o campo administrativo e passaram a interferir na rotina pedagógica e nas relações entre os profissionais da escola. | Crédito: Tony Oliveira/Agência Brasília

O Ministério da Educação (MEC) divulgou na quarta-feira (5) o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, que registrou a maior evolução acumulada em 20 anos. As três etapas do ensino avaliadas (anos iniciais e finais do ensino fundamental, além do ensino médio) atingiram, no ano passado, o maior valor de toda a série histórica, iniciada em 2005.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Thiago Esteves, professor titular de Sociologia do CEFET-RJ e do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Mestrado Profissional em Sociologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), alerta que o Ideb é uma ferramenta muito importante, mas não a única forma de avaliar a qualidade da educação.

“Precisamos botar o pé no chão e lembrar que o Ideb não avalia a educação como um todo. O Ideb é composto basicamente por duas métricas. Uma dessas métricas é a avaliação das provas de português e matemática; só são esses dois componentes curriculares que são avaliados para a composição da nota do Ideb. E [a outra métrica é] a aprovação ou abandono escolar”, explica.

Esteves observa que parâmetros como a infraestrutura das escolas, salário e formação dos professores e o contexto social e econômico dos estudantes não são levados em consideração.

O que os números mostram

Com relação aos dados apresentados, o professor destaca que a nota dos anos finais do ensino fundamental e a do ensino médio ficaram abaixo da meta do Ideb, e isso, segundo ele, é preocupante. “Ainda estamos patinando no que se refere à qualidade da educação básica”, resume.

“São etapas importantíssimas. E eu destaco que essas metas não são nenhuma novidade, já que foram estabelecidas há quase 20 anos, em 2007. Ou seja, em 2026, as redes estaduais e municipais de educação ainda não conseguiram alcançar a métrica, o número mínimo esperado para a educação”, provoca.

Segundo Thiago Esteves, os números mostram que é preciso ainda investir muito na educação básica, sobretudo na rede pública. Como melhorias necessárias, o especialista menciona justamente os pontos que o Ideb não considera: infraestrutura, formação docente e questão salarial.

“Também é importante dizer que uma questão pouco debatida é que essa meta nacional de 6 tinha como horizonte o ano de 2022. Ou seja, ela tinha validade até 2022 e, até o momento, ainda não foi recalculada. Isso quer dizer que, por mais que se diga que as metas não foram atingidas, essas metas tinham validade até 2022. Muito possivelmente, se estivéssemos pensando hoje em novas metas, estaríamos falando de objetivos mais robustos, mais elevados”, alerta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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