A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou ofícios aos clubes na terça-feira (4) confirmando a “parada obrigatória” do calendário nacional durante a Copa do Mundo Feminina de 2027, que o Brasil sediará pela primeira vez.
É inédito na história que o futebol masculino brasileiro tenha que parar em função de uma Copa do Mundo Feminina. A pausa, de 31 dias, vale entre 24 de junho e 25 de julho — datas de abertura e final do torneio — e afeta as Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino, os campeonatos nacionais femininos organizados pela CBF e as Copas do Brasil masculina e feminina.
A medida atende à exigência da Fifa de que os estádios escolhidos para sediar o Mundial devem ficar disponíveis exclusivamente para a entidade nas semanas anteriores à competição, o que inviabiliza a realização de jogos das competições nacionais no período.
O torneio reunirá 32 seleções em 64 partidas, disputadas em oito cidades escolhidas entre 12 candidaturas: Rio de Janeiro (Maracanã, provável palco da final), São Paulo (Neo Química Arena), Belo Horizonte (Mineirão), Porto Alegre (Beira-Rio), Salvador (Arena Fonte Nova), Fortaleza (Arena Castelão), Recife (Arena de Pernambuco) e Brasília (Mané Garrincha).
Segundo o diretor de operações da Copa de 2027 da Fifa, Thiago Jannuzzi, a meta é superar os 2 milhões de espectadores e a média de 33 mil por jogo registrados na edição de 2023; mais de 730 mil pessoas já se cadastraram para a compra de ingressos.
A CBF já adaptou seu calendário em situações parecidas: em 2025, a Série A foi interrompida entre 13 de junho e 11 de julho por causa da participação de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes e, em 2026, a paralisação durou cerca de 50 dias por conta da Copa do Mundo masculina, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México — ocasião em que as três divisões do Brasileirão Feminino também foram suspensas, enquanto as Séries B, C e D masculinas seguiram normalmente.
Pausa gera críticas de dirigentes
A decisão da CBF gerou reação nos bastidores. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, se posicionou contra a paralisação e citou como exemplo os efeitos da pausa para a Copa do Mundo masculina de 2026. “Esse tipo de evento que se sobrepõe ao calendário local tira datas de você, espreme mais o calendário e te força a ter pressões financeiras que você não teria em um ano convencional”, afirmou o dirigente, que também confirmou a recusa do Flamengo em ceder o centro de treinamento Ninho do Urubu como sede de treinamento das seleções durante o Mundial Feminino.
As declarações de Bap, no entanto, repercutiram de forma negativa entre parte da imprensa esportiva. Colunistas apontaram uma contradição no discurso do dirigente, já que o mesmo tipo de pausa nunca gerou reclamações públicas quando aplicado a Copas do Mundo ou torneios masculinos — caso do próprio Mundial de Clubes de 2025, disputado nos Estados Unidos com a participação do Flamengo. A crítica mais direta veio de colunistas que classificaram a fala do dirigente como uma queixa contraditória diante de um evento histórico para o futebol brasileiro.
