corrida eleitoral

Chapas presidenciais ‘puras’ mostram desorganização da direita, afirma cientista político

Paulo Niccoli Ramirez também comenta falta de representatividade feminina na corrida presidencial: 'Democracia perde'

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No centro da imagem, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, que comporão a chapa do PL que disputará a presidência da República
No centro da imagem, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, que comporão a chapa do PL que disputará a Presidência da República em 2026 | Crédito: Reprodução/YouTube

Partidos de direita optaram pela formação de chapas presidenciais “puro sangue” para as eleições de 2026: Ronaldo Caiado (PSD) terá como vice Gilberto Kassab; Renan Santos (Missão) com Aroldo Medina; Romeu Zema (Novo) com o senador Eduardo Girão; e Flávio Bolsonaro (PL) anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar na quarta-feira (5), último dia do prazo estipulado das convenções partidárias.

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), observa que as chapas puras mais relevantes fazem parte do campo conservador e que isso é um indicativo de que a direita não está coesa. “Mostra uma desorganização e uma tendência muito forte de críticas recíprocas desses grupos, o que tende a favorecer o Lula e até auxiliá-lo em uma vitória no primeiro turno”, aponta ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A falta de alianças dificulta a chegada dos candidatos ao segundo turno, em especial a candidatura de Flávio Bolsonaro, já que ele terá que enfrentar as críticas de pessoas que, em teoria, deveriam ser aliados. “A direita está totalmente desorganizada e é isso que vamos ver”, reforça.

A movimentação dos partidos que compõem o Centrão, que manterão neutralidade, ao menos no primeiro turno, mostra, segundo Ramirez, o quanto esses políticos estão preocupados apenas com o que vai lhes favorecer. Nesse sentido, o objetivo dessas legendas é ocupar espaços não em nome dos interesses coletivos, mas unicamente voltados aos seus interesses privados, apoiados por eleitores de suas regiões. “O grande interesse desses partidos do Centrão não é ser o governo, mas é se manter no governo. Embora essa necessidade tenha diminuído após a criação das emendas parlamentares, mecanismo criado por Eduardo Cunha, aliás”, aponta.

Sobre a pouca representatividade de mulheres nas eleições, considerando que há apenas uma chapa encabeçada por Samara Martins (UP) na corrida presidencial, o cientista político considera que esse dado é prejudicial “às demandas das mulheres na sociedade”.

“É colocá-las no segundo plano. Depois de tantos casos de machismo, não temos, com exceção da Carmen Lucia, uma mulher no STF. Então isso é o reflexo de uma sociedade patriarcal. Nós precisamos de mais mulheres candidatas e também da população LGBT+”, avalia. “É uma perda para a democracia não termos mulheres protagonistas nessas eleições”, resume.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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