NEGOCIAÇÕES

Chavismo e oposição se sentam frente a frente na primeira rodada de diálogos na Venezuela

Após o encontro, foi divulgada nota conjunta com plano de trabalho; oposição também celebrou apoio dos Estados Unidos

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Chavismo e oposição se reúnem em Caracas em uma nova mesa de negociações em Caracas (Venezuela).
Chavismo e oposição se reúnem em Caracas em uma nova mesa de negociações em Caracas (Venezuela). | Crédito: Divulgação

De forma reservada, sem a presença de jornalistas, foi realizada a primeira reunião presencial entre grupos de parlamentares chavistas e ex-deputados de oposição, nesta quinta-feira (6) em Caracas (Venezuela). Em um comunicado conjunto divulgado logo após o fim da primeira sessão de trabalho, os negociadores informaram que “a metodologia e os ciclos de trabalho foram acordados, e a agenda de temas a serem abordados neste processo foi ratificada”.

O texto informa que as sessões serão contínuas até a quarta-feira (12), e só depois uma nova rodada de conversas seria marcada.

“As partes subscrevem os princípios do respeito à soberania nacional, da negociação de boa-fé e da busca de benefícios para a Venezuela, de uma solução política, pacífica, democrática e constitucional, do reconhecimento e respeito mútuos entre as partes, da igualdade política e do tratamento igualitário na mesa de negociações, do cumprimento verificável dos compromissos e da proteção dos direitos humanos e dos direitos políticos de todas as forças políticas”, diz o comunicado.

“Ficou acordado informar prontamente todo o país sobre o progresso alcançado nessas negociações”, finaliza o texto.

O que está em jogo?

No último sábado (1º), os dois lados haviam dado o pontapé inicial aos diálogos, por meio de uma chamada telefônica, em que foram indicados os nomes dos representantes de cada setor. 

A delegação chavista está liderada pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (ANV), Jorge Rodríguez, além dos deputados Ana María San Juan, Jorge Arreaza, América Pérez, Génesis Garvett e Pedro Infante. Por parte da oposição, a ex-presidente da ANV em 2015, Dinorah Figuera, e ex-parlamentares dessa mesma legislatura: Marco Aurelio Quiñones, Ramón López, Jorge Millán, Juan Miguel Matheus e Sergio Vergara.

Nas imagens divulgadas do primeiro encontro nesta quarta, os dois grupos aparecem alinhados e separados pela bandeira nacional.

À esquerda, representantes da oposição; à direita, delegação chavista.
À esquerda, representantes da oposição; à direita, delegação chavista. | Crédito: Divulgação

Em declarações à imprensa local durante sua chegada à Venezuela, procedente de Madri (Espanha), a chefe da delegação opositora detalhou as pautas que serão levadas à mesa pela oposição. A principal delas é a realização de eleições sob condições estritas, como a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a garantia de participação de organismos de acompanhamento e observação, a construção de um cronograma que envolva processos eleitorais nos diferentes níveis de governo, e a restituição de direitos políticos de cidadãos que tenham sido inabilitados pelo Poder Eleitoral. 

A ex-parlamentar ainda agradeceu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pelo apoio que tem prestado ao grupo. “Agradecemos a Marco Rubio por todo o apoio que tem dado para garantir que a Venezuela, num futuro próximo, se torne um país democrático e livre, um país onde possamos coexistir e trabalhar juntos, apesar das nossas diferenças. Nesse sentido, celebramos o fato de os nossos filhos, que regressam do exílio, poderem reunir-se com a sua pátria e contribuir para o futuro da Venezuela. É por isso que ergo as bandeiras da fé, da esperança e da justiça ao embarcarmos neste reencontro com a nossa pátria”, afirmou Figuera.

Já o governo reivindica o reconhecimento do governo em exercício, liderado por Delcy Rodríguez, a suspensão de todas as sanções econômicas que pesam sobre o país antes mesmo da realização de eleições, e a devolução de fundos e ativos venezuelanos que foram bloqueados ou sequestrados no exterior.

O deputado Jorge Arreaza, ex-ministro das Relações Exteriores da Venezuela e integrante da delegação chavista, usou as redes sociais e, de forma tímida, saudou o início das conversas. 

“Hoje iniciamos esta nova fase do Diálogo Nacional. Alcançar acordos entre os venezuelanos, fomentando o diálogo em vez de abordar divergências que impactam a vida do nosso povo. É uma prioridade neste novo momento político”, escreveu o político.

Governo e oposição falam em um período de pelo menos seis meses para a conclusão das negociações, podendo se estender, caso haja algum impasse. Temas como a reabilitação de cidadãos para concorrer às eleições podem atrapalhar a conclusão dos trabalhos.

O governo tem afirmado que pessoas que tenham cometido crimes contra o Estado não são passíveis de anistia ou perdão. Esse é o caso da ex-deputada Maria Corina Machado, que não participa da mesa de diálogos e rompeu publicamente com o grupo de ex-parlamentares liderados por Dinorah Figuera. 

Editado por: Gia Matheus Almeida

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