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China vai construir laboratório para amostras de Marte que pretende trazer à Terra em 2031

Missão Tianwen-3 prevê lançamento em 2028; instalação vai isolar biosfera terrestre e solo marciano de contaminação

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Foto publicada em 11 de junho de 2021 pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA), mostra imagem capturada por uma câmera liberada do rover Zhurong, da China, em Marte, exibindo o rover (à esquerda) e a plataforma de pouso na superfície marciana.
Imagem capturada por uma câmera liberada do rover Zhurong, da China, em Marte, exibindo o rover e a plataforma de pouso na superfície marciana | Crédito: Administração Espacial Nacional da China (CNSA)/AFP

A China vai construir em Hefei, capital da província de Anhui, um laboratório de proteção planetária para receber e processar as amostras de Marte que prevê trazer para a Terra em 2031, segundo o Laboratório de Exploração do Espaço Profundo, que operará parte da instalação.

O laboratório desenvolverá um sistema de proteção bidirecional: isolará as amostras marcianas do ambiente terrestre e impedirá que organismos da Terra contaminem o material coletado em Marte. Entre suas funções estarão a esterilização, a abertura dos contêineres, o processamento e a avaliação de risco biológico das amostras, segundo a Xinhua.

Wei Guangfei, pesquisador do Centro de Ciência Planetária do Laboratório de Exploração do Espaço Profundo, afirmou que a tarefa não tem precedente internacional e que a equipe está realizando uma pesquisa independente. A instalação vai seguir os protocolos do Comitê de Pesquisa Espacial (Cospar), segundo Li Hang, diretor de planejamento de desenvolvimento do laboratório.

O Laboratório de Exploração do Espaço Profundo foi criado em 2022 por uma parceria entre a Administração Nacional do Espaço da China, o governo de Anhui e a Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC, na sigla em inglês). O laboratório de proteção planetária será construído na primeira fase da Cidade da Ciência do Espaço Profundo de Hefei.

A missão chinesa a Marte

A missão Tianwen-3, prevista para partir em 2028, tem como primeiro objetivo científico a busca por rastros de vida em Marte. O retorno à Terra em 2031 foi divulgado pela Administração Nacional do Espaço da China em abril.

A operação deve ser feita em uma única etapa de pouso, coleta e retorno: o ponto de aterrissagem e o de coleta das amostras serão os mesmos. Liu Jizhong, engenheiro-chefe da missão, afirmou que as principais tecnologias para executá-la já foram desenvolvidas.

A China enviou a Marte, em maio de 2021, o rover Zhurong, que pousou no sul da planície de Utopia. Até maio de 2022, o veículo havia percorrido 1.921 metros na superfície marciana, segundo a Xinhua.

A Administração Nacional do Espaço da China selecionou cinco projetos de cooperação internacional para a missão. As cargas úteis incluem instrumentos de Macau e de Hong Kong para detectar rastros de vida e monitorar a atmosfera marciana, e uma matriz de refletores a laser do Laboratório Nacional de Frascati, ligado ao Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália (INFN, na sigla em italiano), para estabelecer pontos de referência precisos na superfície de Marte.

Editado por: Rafaella Coury

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