Acabou na quarta-feira (5), o período oficial para a realização das convenções partidárias. Realizados desde o dia 20 de julho, estes eventos colocaram em pauta o que filiados de partidos políticos julgaram ser assuntos de interesse do grupo, além de escolherem seus candidatos e formarem coligações. Apesar da iminência do prazo, em Minas Gerais, até o último dia, apenas cinco partidos já tinham definido suas chapas completas para concorrer nas eleições de outubro.
Abrindo o período, a Unidade Popular (UP) realizou sua convenção em 20 de julho. O Partido Missão teve seu encontro no dia 22, seguido pelo PL (23), PSTU (24), PCB (25) e Psol, Rede e PDT no dia 26. Por sua vez, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) realizou sua convenção em 31 de julho.
No campo da direita, MDB e União Progressista (federação União Brasil e PP) oficializaram seus candidatos em 1º de agosto, enquanto PSB e PSD realizaram encontros em 2 de agosto. Nessa quarta-feira, o calendário se encerrou com a convenção do Republicanos.
Minas Gerais é vista por políticos e especialistas como um estado central quando o assunto são as eleições nacionais: além de ser o segundo maior colégio eleitoral e importante palanque político para os presidenciáveis, é comum a avaliação de que o estado reflete o resultado do restante do país, quando o assunto é a eleição para a presidência.
Com o fim do prazo, termina também uma longa indefinição sobre quem concorre à corrida pelo Palácio Tiradentes, já que, a partir de agora, se desenha de maneira mais concreta o cenário da disputa eleitoral, seja para o executivo estadual, seja para as casas legislativas do estado e nacionais. Diante disso, o Brasil de Fato MG reuniu o perfil dos principais concorrentes à vaga para o Executivo mineiro.
Os possíveis governadores
Oficialmente, os partidos e coligações têm até o próximo dia 15 para concluir o registro das chapas completas. Quando o assunto é a cadeira de governador, no entanto, já se sabe que a disputa será marcada pelo desafio de administrar a dívida estadual que ultrapassa R$200 bilhões. Após sete anos da gestão iniciada por Romeu Zema (Novo) e hoje liderada por Matheus Simões (PSD), Minas segue com sua capacidade de investimento comprometida.
Isso significa que, independentemente de quem vencer as eleições de outubro, o próximo governador ou governadora terá de lidar com um dos maiores passivos fiscais da história do estado. Ao mesmo tempo, deve enfrentar demandas históricas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento econômico, em um cenário de restrições orçamentárias.
A desistência de Cleitinho
Após meses de negociações e com várias reviravoltas na última semana, o Republicanos optou por não lançar candidatura, barrando a intenção do Senador Cleitinho Azevedo.
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Segundo a pesquisa Quest divulgada no dia 28, Cleitinho figurava como amplo favorito nas pesquisas, somando mais de 30% das intenções de voto em todos os cenários em que seu nome foi testado.
Flávio Roscoe
O Partido Liberal (PL) optou por lançar candidatura própria. Nesta quarta-feira (5), Flávio Bolsonaro fez uma publicação na companhia de Flávio Roscoe, anunciando este último como candidato da legenda para o governo de Minas.
Formado em história e natural de Belo Horizonte, Roscoe é presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O empresário atua principalmente na indústria têxtil, sendo sócio-diretor de empresas do Grupo Colortextil. Estreante na política partidária, o ex-presidente da Fiemg se filiou ao PL em março deste ano e concorre a uma eleição pela primeira vez já buscando a cadeira de governador.
Roscoe é próximo de Flávio Bolsonaro e colaborou no plano de governo para a sua candidatura à presidência. Com presença nas redes sociais, o empresário ficou conhecido após declaração a uma entrevista do jornal Folha de S. Paulo, na qual afirmava que “idiota é quem trabalha com carteira assinada”, culpando programas como o Bolsa Família pela suposta falta de mão de obra nas indústrias.
Na última pesquisa Genial/Quest, Roscoe aparece com 2% das intenções de voto em uma simulação de primeiro turno, incluindo Cleitinho. Sem Cleitinho, o ex-presidente da Fiemg chega a 4%. A escolha dele também frustrou as expectativas de um grupo dentro do PL, do Republicanos e da federação União-Progressista, que articulava o lançamento da candidatura de Marcelo Aro.
Patrus Ananias
Por outro lado, a chapa governista da Federação Brasil da Esperança será encabeçada em Minas por Patrus Ananias, do Partido dos Trabalhadores (PT), inserindo na disputa um projeto político fortemente identificado com o combate à fome, a participação popular e o fortalecimento das políticas públicas. Deputado Federal, ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte (1993 a 1996), o político é professor e advogado de movimentos populares.
Em seu período à frente da capital mineira, Ananias implantou programas que se tornaram referência nacional, como o Restaurante Popular, o Abastecer, o Direto da Roça, o Cestão Popular e o Orçamento Participativo.
Em 2004, assumiu o recém-criado Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nessa pasta, coordenou a implantação do Bolsa Família, além da expansão dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), dos Restaurantes Populares, das Cozinhas Comunitárias, dos Bancos de Alimentos e de outras ações que consolidaram o programa Fome Zero como uma das principais políticas públicas de combate à pobreza do país.
Posteriormente, também comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), desenvolvendo ações voltadas à agricultura familiar, à agroecologia, ao cooperativismo e à reforma agrária.
No vídeo de apresentação de sua pré-candidatura, divulgado no dia 20 de julho, destacou sua formação cristã. Em seus 74 anos, Patrus participou de pastorais sociais e diz ter uma formação política fundamentalmente referenciada em Jesus. O ex-prefeito aparecia, segundo a Quaest, sem Cleitinho na disputa, com 13% das intenções de voto.
Em uma composição de última hora, a chapa anunciou como vice-governador o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Matheus Simões
Representando a continuidade do projeto que governa Minas Gerais desde 2019, na disputa por se manter na cadeira está o atual governador Mateus Simões (PSD). O chefe do executivo estadual assumiu após a renúncia do ex-governador Romeu Zema, em março deste ano.
Antes de ser vice de Zema (2022-2026), Simões havia sido secretário-geral do primeiro mandato do ex-governador (2020-2022), sendo considerado figura determinante na articulação de medidas como a Reforma Administrativa e a privatização de empresas públicas.
Nos últimos meses, seu governo foi alvo de questionamentos devido à suspensão de um contrato de R$348 milhões na área da educação em meio a denúncias de irregularidades. A gestão também responde a abertura de investigação pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre suposto uso institucional da Agência Minas para promoção pessoal, além de embates públicos com órgãos de controle em torno da implementação das escolas cívico-militares.
Simões também responde a críticas após declarações consideradas inadequadas durante cerimônias oficiais e viu a oposição acionar órgãos de fiscalização em episódios envolvendo o patrimônio do Palácio das Mangabeiras, além de estar envolvido em mudanças promovidas na estrutura ambiental do estado, após o avanço de investigações da Polícia Federal sobre licenciamento ambiental. O governo estadual nega irregularidades e afirma atuar dentro da legalidade.
Na noite do último dia das convenções, o PSD anunciou apoios à candidatura de Simões vindos da federação União Progressista (União Brasil e PP), do Partido Novo, da federação entre PRD e Solidariedade e do Avante. O bancário Danilo de Castro (União Brasil) foi escolhido como vice na chapa. Castro é ex-deputado federal e um dos principais secretários das gestões de Aécio Neves (PSDB) no estado.
Com a decisão, ficou determinado ainda que Marcelo Aro (PP), Carlos Viana (PSD) e Marco Antônio Costa, conhecido como Superman (Novo), serão candidatos isolados ao Senado. O atual governador tem 9% das intenções de voto segundo a última pesquisa Quaest.
Alexandre Kalil
Tentando novamente a cadeira no Palácio Tiradentes, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil concorre pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Kalil atuou como prefeito da capital entre 2017 e 2022. E, segundo a Genial/Quaest, suas intenções de voto estão em 12% , liderando o pleito no cenário atual.
Tendo sido definido por unanimidade na convenção de seu partido, o ex-prefeito terá como vice o médico e ex-deputado federal Carlos Eduardo Venturelli Mosconi, um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Nesta composição, a chapa se pretende como uma candidatura de centro, discurso voltado à renegociação da dívida pública e à recuperação dos serviços essenciais. Desta forma, Kalil tenta manter uma posição de “independência” em relação à disputa nacional, embora seu partido já tenha declarado apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em sua tentativa anterior de chegar à cadeira do governador, na eleição de 2022, Kalil fez uma campanha marcada pelo lema de que “não é político e sim empresário”. Natural de Belo Horizonte, ele foi presidente do Atlético-MG de 2008 a 2014, é graduado em engenharia civil e sócio da empresa Erkal Engenharia.
Outras candidaturas à direita
No vácuo criado pela indefinição das candidaturas principais até o prazo final, candidaturas alternativas e com menos projeção apareceram tanto à esquerda quanto à direita. No campo da centro-direita, o MDB confirmou o ex-vereador Gabriel Azevedo, que aposta em um perfil independente e na experiência acumulada à frente da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Ele escolheu a vereadora Maria Helena de Quadros Lopes (MDB), de Montes Claros, para compor a chapa como vice.
Por sua vez, a extrema direita tem outro representante no Partido Missão: o jornalista, estudante de medicina, influenciador digital e advogado Ben Mendes, conhecido nacionalmente pelo projeto “Ronda do Consumidor”, voltado à defesa do consumidor. O partido também aprovou na convenção a candidatura de Cabo David Souza como vice-governador.
As candidaturas de esquerda
Já no lado progressista do espectro político, o Psol confirmou a professora e militante feminista Maria da Consolação Rocha, uma das fundadoras da legenda em Minas Gerais. Com um projeto intitulado “Frente Minas Socialista”, a diretora municipal do Psol, em Belo Horizonte, tem em seu histórico uma atuação de 18 anos como professora na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), nos cursos de pedagogia e gestão. Antes disso, trabalhou mais de 30 anos na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte.
Pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o nome escolhido é o professor e historiador Túlio Lopes, ligado aos movimentos sindical e estudantil. A chapa será “puro-sangue”, com Warlen Nunes como candidato a vice-governador do estado.
A Unidade Popular (UP) apresentou a educadora popular Indira Xavier como representante da legenda. Militante dos movimentos sociais, atualmente Xavier é coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário e da Casa Tina Martins, voltada ao acolhimento de mulheres em situação de violência. Caso eleita, Renato Amaral, também da UP, será seu vice.
Enquanto o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) confirmou o operário da mineração Rafael Duda como seu nome para o pleito. Ele é presidente do sindicato Metabase Inconfidentes, que representa os trabalhadores da indústria de extração de ferro e metais básicos de Congonhas, Belo Vale, Ouro Preto e região.
