Imperialistas

Infiltração da CIA em Cuba busca derrubar governo sem invasão, avalia analista internacional

Ricardo Leães recorda que estratégia já foi usada em outros momentos e comenta os desafios energéticos na ilha caribenha

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O Ministério de Relações Exteriores de Cuba classifica a situação atual como um crime de lesa humanidade, enquanto a imprensa dos Estados Unidos constrói narrativas para cooptar não só setores diplomáticos, mas sua população e a de outros países a seu favor
O Ministério de Relações Exteriores de Cuba classifica a situação atual como um crime de lesa humanidade, enquanto a imprensa dos Estados Unidos constrói narrativas para cooptar não só setores diplomáticos, mas sua população e a de outros países a seu favor | Crédito: Eugênio Bortolon

A CIA teria criado uma força-tarefa para impulsionar instabilidades políticas em Cuba, segundo reportagem do The New York Times. Há quase 70 anos a ilha sofre com políticas de bloqueio dos Estados Unidos, mas o cenário foi agravado no segundo governo de Donald Trump, quando se iniciou um projeto de asfixia energética, que causa recorrentes apagões.

O professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, aponta que a presença da CIA em território cubano não é uma novidade e que, no período em que Fidel Castro esteve na presidência do país, algumas tentativas de assassinato aconteceram.

Leães observa que há um modus operandi bastante conhecido quando os EUA querem dominar um país sem a necessidade de invadir, porque isso “seria muito caro”. Trata-se justamente das tentativas de desestabilização internas.

“Eu acho bastante possível e provável que, sim, a CIA tenha estabelecido algum tipo de mecanismo com o objetivo de tentar criar fissuras no sistema político cubano para não precisar invadir, para produzir uma mudança de governo sem a necessidade de uma invasão. Mas eu confesso que acho muito estranho o fato de isso ter aparecido na imprensa dos Estados Unidos, no New York Times. Então, a gente precisa ficar de olho nessa situação”, pondera Leães ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Enfrentando a crise energética

O especialista em Relações Internacionais avalia que, apesar dos esforços de ajuda de alguns países irmãos de Cuba, como o próprio Brasil, não há um interesse global em furar esse bloqueio dos EUA. Além disso, as ajudas enviadas em solidariedade são iniciativas importantes, porém não resolvem o principal gargalo, que é a energia.

“É realmente muito preocupante. Em determinado momento, a gente teve até a perspectiva de que talvez a Rússia estivesse interessada em furar esse bloqueio quando um navio petroleiro russo levou petróleo bruto para Cuba. Essa situação não se manteve. Ela, na verdade, é inconstante, foi episódica e não dá para atender às necessidades cubanas por um período de tempo minimamente mais longo”, destaca.

Ricardo Leães também destaca a postura da China, que tem se mantido um pouco mais afastada desse cenário. “O que aconteceria se a China decidisse mandar petróleo para Cuba? Qual seria a decisão do Donald Trump? Ele declararia guerra à China por causa de Cuba?”, questiona.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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