A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (7) aponta que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0 estão entre as cinco medidas que os brasileiros consideram como acertos do governo Lula. O levantamento traça uma avaliação qualitativa de indicadores como políticas de governo, a percepção com relação a cenários da economia, imagem dos principais líderes políticos e os problemas considerados mais graves do país.
Para 48% dos eleitores, o presidente Lula (PT) tem uma imagem positiva, e negativa para 52%. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro é visto de forma positiva por 32%, e 56% têm uma visão oposta. O filho dele, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência e principal oponente de Lula, é bem avaliado por 37% e visto com desaprovação por 59% dos brasileiros.
Entre os problemas mais sérios do país, os brasileiros colocam a criminalidade e o tráfico de drogas (61,3%), a corrupção (57,5%) e a economia e inflação (22,5%) como os três principais.
A cientista política Priscila Lapa aponta que o levantamento complementa as informações que as pesquisas quantitativas vêm indicando. “Ela traz algumas percepções sobre o momento econômico, que medidas o governo teria adotado e que a maioria das pessoas considera positivas ou negativas. É muito importante para a gente entender também qual é a agenda do eleitor nesse momento e fazer esse cruzamento com a intenção de voto. A avaliação de governo é uma variável sempre muito importante num processo de eleição presidencial. Governos que têm um bom desempenho na maior parte das suas medidas para a maior parte da população tendem a ter uma chance maior de se reeleger”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Lapa aponta que as políticas avaliadas como positivas pela maioria da população foram aquelas que representam uma melhora sensível na qualidade de vida. “O acesso das pessoas aos processos de negociação de dívidas bancárias, a farmácia popular que dá acesso a medicamentos de graça ou com preços mais acessíveis. Tudo isso está sendo colocado pelo eleitor como medidas acertadas e que podem explicar um pouco da recuperação dessa avaliação positiva do governo que outros institutos já vinham apresentando”, destaca.
A cientista política aponta como uma contradição, medida pela pesquisa, a percepção sobre a inflação e a geração de emprego. “Parte mais significativa das pessoas avalia ainda que o governo não conseguiu tomar as medidas que precisam ser tomadas. E isso afeta diretamente o bem-estar econômico das pessoas. Então, talvez seja isso que faça, apesar da boa pontuação de Lula, que ela não ultrapasse os 50%”, avalia.
Vice de Bolsonaro
Priscila Lapa também avalia a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de manter a postura mais aguerrida tradicional do bolsonarismo. Além disso, reforça que, tanto no caso de Flávio quanto no de Lula, apenas a militância não será suficiente para eleger um ou outro.
“Qualquer candidato que queira se eleger nesse pleito precisa também arrecadar votos de outros lados, precisa arrecadar voto dos indecisos, do eleitor mais moderado e, claro, se for possível, reverter votos daquele que tinha feito a opção pelo lado do adversário, o que é mais difícil, que talvez não valha nem a pena gastar tanta energia nesse cenário mais cristalizado e de polarização”, analisa.
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