Sob o lema “Pelo socialismo, cem anos caminhando com Fidel”, mais de 150 delegados de movimentos populares de 25 países darão início, nesta quinta-feira (6), à IV Assembleia Continental da Alba Movimentos, em Havana, Cuba, no marco do centenário de nascimento do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro.
O encontro reúne organizações populares da América Latina e do Caribe com o objetivo de fortalecer a articulação dos movimentos sociais e suas lutas na região. A Assembleia, que será realizada entre os dias 6 e 9 de agosto, busca construir uma agenda comum diante do avanço das extremas direitas, da ofensiva imperialista de Washington na América Latina — expressa na chamada Doutrina Monroe 2.0 — e dos desafios políticos enfrentados pelos projetos populares e pelos povos do continente.
“Para a Alba Movimentos, a solidariedade com o povo e com o processo revolucionário cubano é um pilar fundamental. Portanto, foi uma decisão unânime realizar este encontro de trabalho aqui em Cuba, mesmo diante das condições adversas que nós, cubanos e cubanas, estamos vivendo”, afirmou ao Brasil de Fato Joel Suárez, integrante do Centro Memorial Martin Luther King, uma organização ecumênica cubana de inspiração cristã que promove valores emancipatórios.
A Assembleia pretende reafirmar os laços de solidariedade internacionalista com a Revolução Cubana e homenagear o legado político e revolucionário de Fidel Castro às vésperas do centenário de seu nascimento, celebrado no próximo dia 13.
O encontro também contará com três jornadas de trabalho. A primeira será dedicada à análise da conjuntura global, com destaque para a crise do capitalismo, o aumento das tensões geopolíticas e as ofensivas imperialistas.
A segunda será voltada à reflexão sobre os processos emancipatórios, tendo “a luta pelo socialismo como horizonte político” como parte de uma “atualização do programa” dos movimentos populares. A terceira será dedicada à construção de um Plano de Trabalho Continental, com o objetivo de articular as ações dos movimentos e fortalecer sua capacidade de organização.

‘Uma solidariedade que coloque o corpo’
“No processo de construção da IV Assembleia Continental da Alba Movimentos, uma das discussões que tivemos entre os movimentos populares e sociais da América Latina foi a necessidade de deixar de limitar a solidariedade ao plano comunicacional e às redes digitais para dar um salto em direção a uma solidariedade que colocasse o corpo”, afirmou Joel Suárez.
A organização do evento foi realizada a partir de um esforço de autogestão dos próprios movimentos participantes. Como parte dessa iniciativa, as diferentes delegações chegaram a Cuba trazendo doações de medicamentos destinadas a centros de acolhimento para crianças sem amparo parental e ao setor de pediatria de um hospital oncológico.
“Neste mundo em que estamos bloqueados energética e financeiramente, e no qual tentam nos isolar, construir aqui, em Cuba, esta trincheira amorosa de solidariedade tem um enorme significado. A partir daqui, poderemos contar ao mundo as angústias do povo cubano, as desesperanças que às vezes nos atravessam, mas também nossa convicção de que vamos sair desta situação com nosso próprio esforço”, afirmou.
Articulação Continental de Movimentos Sociais e Populares rumo à Alba
Criada como um espaço de coordenação e unidade popular, a Articulação Continental de Movimentos Sociais e Populares rumo à Alba — conhecida como Alba Movimentos — reúne atualmente mais de 400 organizações camponesas, indígenas, afrodescendentes, urbanas, estudantis, sindicais e feministas da América Latina e do Caribe.
A iniciativa tem suas origens nas lutas contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e nos processos de articulação dos movimentos populares surgidos após as mobilizações sociais do início do século 21 no continente. A proposta foi consolidada durante o Fórum Social Mundial de Belém, no Brasil, em 2009, e formalmente constituída na primeira Assembleia Continental da organização, realizada em 2013, em São Paulo (SP).
Desde sua criação, a Alba Movimentos se define como uma plataforma política e ideológica anticapitalista, anti-imperialista, anticolonial, antipatriarcal e antirracista, orientada a impulsionar uma integração regional “desde baixo” e um projeto de emancipação social e independência para Nossa América.
