A Fundação Theatro Municipal (FTM) e a Sustenidos, organização social responsável pela gestão da Praça das Artes, tornaram-se réus na ação que a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) move contra a tentativa de censura ao evento ocorrida em 2025.
Em julho do ano passado, a Prefeitura de São Paulo rompeu unilateralmente o contrato para a realização da sétima edição do evento, na Praça das Artes, no centro de São Paulo, cinco dias antes da abertura. A decisão foi entendida pela organização como uma tentativa de censura política contra um festival que, desde sua criação, “reúne pensamento crítico, bibliodiversidade, movimentos sociais e produção editorial independente”.
Na ocasião, o diretor da FTM, Abraão Mafra, alegou que o evento tinha cunho político-ideológico. Com a censura, houve uma grande mobilização e o evento mudou para o Espaço Cultural Elza Soares e teve recorde de público com mais de 50 mil pessoas.
“Eles não esperavam que a Justiça fosse virar de lado. A Flipei reuniu documentos para poder virar esse jogo e processar a prefeitura, o Teatro Municipal e a Sustenidos. Nós conseguimos então emplacar e fazer com que eles se sentassem no banco dos réus”, comemora o coorganizador da Flipei Rafael Limongelli. “Nós sempre sofremos com o sistema de justiça na mão dos poderosos. E agora é a hora do povo, da gente usar o sistema de justiça contra os poderosos.”
Em comunicado oficial, a Flipei destacou ainda que “mais do que buscar reparação por um episódio específico, a ação procura afirmar um princípio que interessa a toda a comunidade cultural: nenhum governo pode utilizar equipamentos públicos para premiar iniciativas alinhadas às suas preferências políticas e punir aquelas que pensam diferente”.
A decisão da Justiça acontece no mesmo período da 8ª Flipei, que volta ao Elza Soares, além de dois outros pontos. Segundo a organização, a Flipei é ancorada em projeto colaborativo, acessível e em disputa com a lógica dos grandes mercados editoriais.
