Eleições 2026

‘Vote pelo SUS’ mobiliza sociedade e candidaturas a colocar saúde pública no centro da agenda eleitoral

Lançada no Dia Nacional da Saúde, campanha reúne organizações em defesa do SUS e de seu financiamento

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Campanha "Vote pelo SUS" teve lançamento em Brasília no Dia Nacional da Saúde
Campanha “Vote pelo SUS” teve lançamento em Brasília no Dia Nacional da Saúde | Crédito: Ana Gonçalves/Brasil de Fato DF

No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, organizações lançaram oficialmente a campanha “Vote pelo SUS 2026”, iniciativa que pretende inserir o fortalecimento do Sistema Único de Saúde no centro do debate eleitoral. Realizado em Brasília, o evento reuniu representantes de movimentos sociais, pesquisadores, parlamentares, profissionais da saúde e candidatas ao Parlamento do Distrito Federal, que assinaram uma carta-compromisso em defesa do sistema público de saúde.

O encontro buscou consolidar uma agenda política para as eleições de 2026. A expectativa é que eleitoras e eleitores considerem o compromisso das candidaturas com o financiamento do SUS, a valorização dos profissionais da saúde, o combate à desinformação e a garantia do direito universal à saúde como critérios para a escolha de seus representantes.

Promovida pelo Fórum DH Saúde, em parceria com organizações da sociedade civil, a campanha chega à sua terceira edição com o objetivo de ampliar o debate sobre a importância SUS e estimular o compromisso de candidaturas com pautas consideradas estruturantes para o sistema público.

Defesa do SUS como compromisso

A mobilização é composta por dois instrumentos principais: um manifesto, aberto à adesão da população, e uma carta-compromisso destinada às candidaturas que disputam cargos eletivos em 2026.

Durante o lançamento, representantes do Fórum destacaram que a intenção não é apenas sensibilizar candidatas e candidatos durante a campanha eleitoral, mas construir um compromisso permanente com a implementação de políticas públicas voltadas à consolidação do sistema universal de saúde.

Coordenador executivo do Centro de Educação e Assessoramento Popular (Ceap) e integrante da secretaria executiva do Fórum DH Saúde, Valdivir Botti explicou que o fortalecimento do SUS precisa fazer parte de um projeto de desenvolvimento para o país.

“O objetivo é fazer o envolvimento da sociedade, de lideranças, de conselhos, eleitoras e eleitores, e também das candidaturas aos vários cargos, para se comprometerem com o Sistema Único de Saúde. O Fórum considera que o SUS é uma das grandes conquistas da sociedade brasileira e deve fazer parte de um projeto de desenvolvimento do país”, declarou.

"Nossa saúde depende da sua escolha", diz slogan da campanha Vote pelo SUS 2026
“Nossa saúde depende da sua escolha”, diz slogan da campanha | Crédito: Ana Gonçalves/Brasil de Fato DF

Segundo Botti, o fortalecimento do sistema passa necessariamente pela garantia de recursos públicos suficientes para assegurar o acesso universal e integral à saúde.

Um dos principais momentos do evento foi a exibição do vídeo oficial de lançamento. A campanha “Vote pelo SUS 2026” destacou a defesa da vida e a construção coletiva do SUS como política pública.

A escolha desse enfoque foi destacada pelo membro do Fórum DH Saúde Ronald dos Santos, que afirmou que ela traduz o principal desafio do momento político.

Para ele, a campanha deste ano ocorre em um contexto diferente das edições anteriores, marcado pelo fortalecimento de discursos que negam a ciência, questionam o papel do Estado e atacam políticas públicas consolidadas.

“Nós precisamos construir uma maioria social para enfrentar essas forças”, defendeu, ao afirmar que a mobilização em defesa do SUS deve envolver universidades, igrejas, movimentos populares e diferentes setores da sociedade.

Financiamento do SUS

O debate sobre o financiamento do Sistema Único de Saúde foi o principal eixo político do encontro. Economista e pesquisador, Francisco Funcia dedicou sua exposição a explicar como mudanças nas regras fiscais afetaram o orçamento da saúde nos últimos anos.

Segundo ele, a aprovação da Emenda Constitucional 95, conhecida como teto de gastos, representou um marco no processo de desfinanciamento do SUS.

“O primeiro grande aviso de que governos sem compromisso com o SUS começavam a retirar recursos da saúde foi justamente o desfinanciamento”, afirmou.

Funcia apresentou dados segundo os quais, entre 2018 e 2022, o SUS deixou de receber cerca de R$ 65 bilhões em razão das restrições impostas ao orçamento da saúde. Após a revogação da Emenda Constitucional 95, o sistema voltou a contar com recursos adicionais, mas, segundo ele, isso não foi suficiente para superar o problema histórico do subfinanciamento. 

“A luta para enfrentar o subfinanciamento continua”, resumiu o pesquisador ao defender que o financiamento adequado do sistema seja tratado como prioridade pelos futuros governantes. 

Defender o SUS é defender a democracia

Ao longo do evento, representantes de diferentes organizações defenderam que a disputa em torno do Sistema Único de Saúde ultrapassa o campo das políticas públicas e está diretamente ligada ao fortalecimento da democracia brasileira.

Representante da mesa diretora do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Getúlio Vargas lembrou que 2026 marca os 40 anos da histórica 8ª Conferência Nacional de Saúde, considerada um dos principais marcos da reforma sanitária brasileira e responsável por consolidar as bases que seriam incorporadas à Constituição Federal de 1988.

A conferência estabeleceu as condições para que a saúde fosse reconhecida como um direito de todos e dever do Estado. “O capítulo da seguridade social transcreve aquilo que foi aprovado na conferência”, declarou.

Para Getúlio, preservar essa conquista passa necessariamente pela defesa do ambiente democrático. O representante do Conselho Nacional de Saúde destacou ainda que, independentemente da condição econômica, toda a população utiliza, em algum momento, serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.

“Seja a pessoa mais rica do Brasil, seja a pessoa mais humilde, todos usam o SUS e isso é uma conquista histórica”, argumentou o conselheiro.

Ao relacionar diretamente o processo eleitoral com a saúde pública, Getúlio resumiu o espírito da campanha. “Votar pelo SUS é votar pela democracia, é votar pelo povo, é votar pelo Brasil”, exclamou. 

Candidatos e candidatas assinam carta de compromissos com a saúde pública do Brasil
Candidatos e candidatas assinaram carta de compromissos com o fortalecimento da saúde pública do Brasil | Crédito: Ana Gonçalves/Brasil de Fato DF

Carta-compromisso

O evento também marcou as primeiras assinaturas da carta-compromisso por candidatas ao parlamento. Entre elas estavam a candidata ao Senado Erika Kokay (PT), e à Câmara Federal pelo Psol-DF Karine Fonseca, Keka Bagno e Raquel Ferreira.

Elas destacaram que o Distrito Federal enfrenta um processo de sucateamento do sistema público, agravado pela transferência de recursos para o setor privado. Nesse contexto, o documento representa um compromisso com o fortalecimento do financiamento público da saúde.

O Fórum DH Saúde é uma articulação nacional formada por movimentos populares, entidades da sociedade civil, sindicatos, organizações de pesquisa, coletivos e conselhos que atuam na defesa do direito humano à saúde e do fortalecimento do SUS.

Segundo os organizadores, a carta busca fazer com que os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral sejam acompanhados pela sociedade também após a eleição, contribuindo para que as propostas defendidas se convertam em políticas públicas efetivas.

Fazem parte do Fórum movimentos de usuários, entidades da saúde coletiva, sindicatos, instituições acadêmicas, organizações de direitos humanos e movimentos populares urbanos e do campo.

Ao aderirem à campanha “Vote pelo SUS”, candidatas e candidatos assumem publicamente o compromisso de defender um conjunto de propostas. Entre os principais pontos estão:

• garantir financiamento público adequado e sustentável para o SUS;

• fortalecer a gestão pública e o caráter universal, integral e gratuito do sistema;

• valorizar as trabalhadoras e os trabalhadores da saúde;

• defender a vacinação e combater a desinformação e o negacionismo científico;

• fortalecer a participação social e os conselhos de saúde;

• assegurar transparência na gestão dos recursos públicos;

• defender a saúde como direito humano e dever do Estado.

Qualquer pessoa pode aderir ao manifesto, declarando apoio ao fortalecimento do sistema público de saúde e às propostas defendidas pela campanha. Já candidatas e candidatos podem assinar a carta-compromisso. Mais informações, o manifesto, a carta-compromisso e os materiais da campanha estão disponíveis no portal do Fórum DH Saúde, responsável pela iniciativa.


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Editado por: Clivia Mesquita

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