com repressão

Com exclusão de trechos, Senado argentino aprova lei que altera direitos sobre terra

Projeto proposto por Milei avançou após renúncia do capítulo que modifica Lei de Gestão de Incêndios

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Senado argentino discutiu Lei de Terras
Senado argentino discutiu Lei de Terras | Crédito: Reprodução/X Senado Argentino

Após quase 11 horas de debate, o Senado argentino aprovou parcialmente, na madrugada desta sexta-feira (7), a chamada “Lei Inviolabilidade da Propriedade Privada”, um projeto proposto pelo governo de extrema direita de Javier Milei para mudar regras do Código de Processo Civil, endurecendo despejos e modificando as leis de expropriação e propriedade comunitária de povos originários.

A iniciativa foi aprovada em geral com 37 votos a favor e 33 contra, tendo o endosso do partido governista e da oposição pró-diálogo. Agora, o texto segue para a Câmara dos Deputados.

A meia aprovação apenas se deu após a renúncia de alguns capítulos que geraram maior resistência entre os senadores da oposição, no que diz respeito à modificação da Lei de Gestão de Incêndios. Esta legislação falava na redução da proibição de 30 anos para mudar o uso de terras rurais, pastagens e áreas agrícolas devastadas por incêndios. De acordo com organizações ambientais, a medida poderia incentivar a provocação de incêndios intencionais para possibilitar a reconversão de imóveis ou agrícolas.

A sessão ocorreu sem o capítulo que permitia a venda de terras para cidadãos estrangeiros e empresas, em uma decisão que já havia sido adotada na última quarta-feira (5), em uma reunião entre a líder do bloco governista, Patricia Bullrich, e blocos aliados, após vários governadores decidirem votar contra esse capítulo. O projeto previa a venda de até 25% das terras rurais.

“Sob a desculpa de defender a propriedade privada dos invasores e usurpadores, o que eles fazem é incluir nos despejos expressos inquilinos com contrato pelo mero atraso no pagamento em um contexto em que as pessoas não conseguem pagar as contas e acabam se endividando”, afirmou o kirchnerista Mariano Recalde.

Do lado de fora do Congresso, milhares de pessoas se mobilizaram para rejeitar a iniciativa de Milei. Em defesa da soberania argentina e sob o lema “A pátria não está à venda, não é queimada nem despejada”, o chamado reuniu sindicatos trabalhistas, organizações ambientais e civis e setores do peronismo e da esquerda.

A polícia reprimiu violentamente os manifestantes, com uso de caminhões-pipa e gás lacrimogêneo. De acordo com o portal Página 12, que descreveu as cenas como uma “repressão brutal”, os policiais avançaram contra os manifestantes, disparando “indiscriminadamente” balas de borracha.

*Com Telesur.

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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