Geopolítica

Como a aprovação de aliado de republicano para a embaixada no Brasil amplia a tensão com os EUA

Para especialista, placar apertado no Senado dos EUA e retaliação com cassação de visto escancaram disputa ideológica

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Daniel Perez foi aprovado pelo Senado dos EUA como embaixador em Brasília.
Daniel Perez foi aprovado pelo Senado dos EUA como embaixador em Brasília. | Crédito: Daniel Perez/X/Reprodução

O nome de Daniel Perez foi aprovado pelo Senado estadunidense para ser o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A indicação acabou se transformando em polêmica quando o governo Donald Trump usou o episódio para justificar o cancelamento do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um episódio de tensão diplomática entre os dois países. O placar de submissão do nome de Perez foi de 51 votos a favor e 47 contrários.

Perez é republicano, filho de cubanos, natural de Nova York e muito próximo do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alinhado à extrema direita brasileira. Apesar do movimento do parlamento estadunidense, o governo Lula manteve a posição de que vai analisar a nomeação depois das eleições.

A analista internacional Amanda Harumy explica que, dentro do rito diplomático, é comum uma demora em confirmar a nomeação de um embaixador. “Ou seja, não seria algo agressivo. Mas nós vimos que essa situação pode escalar. Então essa determinação do governo dos EUA de retirar o visto é uma clara ação para pressionar o Brasil. Mas há uma disputa eleitoral que será muito influenciada pela Casa Branca”, afirma.

“Diplomaticamente, são comuns esses ritos, demora e um pouco de dificuldade. Mas politicamente isso faz parte de um atual ruído entre as diplomacias do Brasil e EUA. Existe, em si, uma disputa geopolítica e ideológica que está acontecendo na América Latina, e a eleição do Brasil será determinante”, resume ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Enquanto isso, na Argentina…

Debaixo de protestos em diversas cidades argentinas, o Senado aprovou nesta sexta-feira (7) uma versão adaptada do projeto de lei sobre a inviolabilidade da propriedade privada. A proposta, aprovada com 37 votos a favor e 33 contra, segue agora para discussão na Câmara dos Deputados.

Harumy explica que a lei tem um “componente antissocial” e a intenção de proteger os latifundiários, mas ela tem também um “componente anti-soberano”. “Foi isso que causou um levante nacionalista na Argentina. Hoje o debate de enfrentamento ao Milei é da defesa da Argentina como nação. As Malvinas têm sido reivindicadas novamente; a própria Copa levanta um nacionalismo que está em disputa. O que a gente tem visto é que marchas e manifestações vêm contestando essa venda das riquezas argentinas”, destaca.

Javier Milei, reforça a analista, tem o interesse de diminuir o Estado. “Ele quer usar a força militar contra o povo. A gente vê ele usando todo o aparato policial para oprimir os que defendem as riquezas da Argentina, essa capacidade territorial que envolve essa lei de terras”, afirma Amanda Harumy.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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