ARMORIAL ATUAL

Espetáculo ‘Farsa da Boa Preguiça’ celebra legado de Ariano Suassuna em temporada no Recife

Grupo pernambucano encena uma das peças mais populares do dramaturgo armorial, preservando íntegra do texto

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Espetáculo inicia temporada no Teatro Barreto Júnior e segue para o Teatro do Parque
Espetáculo inicia temporada no Teatro Barreto Júnior e segue para o Teatro do Parque | Crédito: Vitor Manuel/Divulgação

O grupo Célula de Teatro estreia, nesta sexta-feira (7), às 19h30, a montagem inédita de “Farsa da Boa Preguiça”, um dos textos mais populares de Ariano Suassuna. A apresentação será no Teatro Barreto Júnior, no Pina, em uma temporada que segue até o dia 29 de agosto, com oito apresentações divididas entre o Barreto Júnior, nos dias 7, 8, 9, 14, 15 e 16, e o Teatro do Parque, nos dias 28 e 29. A encenação integra as homenagens ao dramaturgo pernambucano, antecipando as celebrações pelos 100 anos de seu nascimento, que serão comemorados em 2027.

A montagem preserva integralmente o texto escrito por Suassuna em 1960 e aposta na permanência de temas que atravessam gerações, como o conflito entre arte e sobrevivência, a busca por sentido em meio ao materialismo, a fé, a ética e as contradições da condição humana. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), e estão disponíveis na plataforma Sympla https://www.sympla.com.br/produtor/celuladeteatro

O espetáculo é resultado de um processo de aproximadamente dez meses de ensaios, antecedidos por um período de estudos sobre a produção dramatúrgica do escritor. A proposta da companhia foi construir uma montagem que valorizasse o humor, a poesia e os elementos da cultura popular nordestina presentes na escrita de Suassuna.

Para o diretor Domingos Soares, a força da peça está justamente em sua capacidade de dialogar com diferentes épocas. “Optamos por seguir fielmente a obra de Ariano, porque ela tem como características a universalidade e a imperecibilidade: funciona em todo lugar do mundo, em qualquer época. Escrita há quase 70 anos, a ‘Farsa da Boa Preguiça’ traz questões extremamente atuais. É um texto que tem muito a dizer sobre o hoje”, destaca.

Considerada um clássico do teatro brasileiro, “Farsa da Boa Preguiça” estreou originalmente em 1961, no Teatro de Arena do Recife. A peça reúne influências do auto popular, da literatura de cordel e da tradição oral nordestina para narrar a história de Joaquim Simão, poeta e cantador que defende o direito à imaginação em uma sociedade marcada pela lógica do lucro e da ambição. Ao lado da esposa, Nevinha, ele enfrenta conflitos familiares e sociais enquanto personagens celestiais e infernais disputam os rumos da narrativa.

Ao longo da trama, Suassuna aborda temas como o valor da criação artística, as desigualdades sociais, a exploração dos mais pobres, a religiosidade popular e os dilemas provocados pela busca incessante por poder e riqueza. A obra também evidencia a riqueza da cultura nordestina, reunindo personagens inspirados em figuras populares e explorando aspectos históricos e sociais da região.

O elenco reúne Cavi Baso, Djalma Albuquerque, Domingos Soares, Eder Camargo, Guto Santana, José Miranda, Karol Spinelli, Paula Mendes, Paulo Sérgio e Roseane Tachlitsky, responsáveis por dar vida aos personagens criados por Ariano Suassuna.

Fundado no Recife em 2017, o Célula de Teatro surgiu com a proposta de desenvolver montagens baseadas em obras clássicas capazes de estimular o debate cultural. A companhia estreou em 2019 com “As Bruxas de Salém”, de Arthur Miller, espetáculo que permaneceu em cartaz por diversas temporadas. Desde 2025, o grupo passou a se dedicar ao estudo da obra de Ariano Suassuna, projeto que culmina agora com a estreia de “Farsa da Boa Preguiça”.

Editado por: Rostand Tiago

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