A menor das casas legislativas nacionais, o Senado, tem sido especialmente visada pelos partidos nas eleições de 2026, o que torna prioritária a disputa pelas duas vagas representando Minas Gerais. A atenção especial decorre da intenção de influenciar diretamente os rumos da política nacional.
No total, são cinquenta e quatro cadeiras em disputa neste ano, e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), defendem a ampliação de bancadas como meta central. Isso porque o Senado é visto como chave para a governabilidade do próximo presidente e para o equilíbrio entre os Poderes.
A casa é responsável por tratar pautas sensíveis, como a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ou a sabatina e aprovação de indicações feitas pelo presidente da República. Em um movimento polêmico e inédito, em abril os senadores rejeitaram a indicação de Jorge Messias ao STF, por exemplo. Por outro lado, é comum a avaliação de que o Senado tem sido também um aliado mais relevante do que a Câmara dos Deputados no terceiro mandato de Lula, garantindo algumas vitórias e barrando propostas consideradas prejudiciais ao governo.
::Leia também:: Fim das convenções partidárias: conheça o perfil dos candidatos ao governo de MG::
Por isso, com a renovação de dois terços do quórum este ano, a possibilidade da construção de maioria posta será fundamental para a aprovação de qualquer pauta nos próximos quatro anos. Diante disso, o Brasil de Fato MG reuniu o perfil dos principais concorrentes às duas vagas no legislativo a serem eleitos pelos mineiros.
O que faz um senador?
Junto à Câmara dos Deputados, o Senado compõe o Congresso Nacional e compartilha as funções de legislar e fiscalizar. Porém, os senadores também possuem competências próprias como processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e comandantes do exército quanto a crimes de responsabilidade; aprovar da escolha de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), embaixadores, presidentes e diretores do Banco Central e titulares de outros cargos.
A eleição dos senadores acontece por sistema majoritário, ou seja, é eleito aquele que tiver a maior quantidade de votos, com mandato de oito anos. Outra diferença entre as duas casas legislativas é que o senador é eleito para representar seu estado, já os deputados são eleitos para representar o povo. Por isso, cada estado brasileiro elege três senadores, independente de seu tamanho populacional.
A recomposição da Casa se dá alternando entre a renovação de um terço e dois terços de seus membros, sendo que este ano cada estado escolhe dois senadores. Junto com cada Senador são eleitos dois suplentes, que são seus eventuais substitutos.
Em Minas Gerais, até o fechamento das convenções partidárias, que se encerraram na quarta-feira (5), dez candidatos se colocaram publicamente na disputa pelas vagas. Após o encerramento das convenções, as siglas têm de registrar os nomes escolhidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, com a campanha eleitoral iniciando oficialmente no dia seguinte.
Candidatos confirmados à esquerda
Após quatro mandatos bem avaliados à frente da prefeitura de Contagem, terceiro município mais populoso do estado, Marília Campos (PT), tenta agora sua vaga ao Senado. Natural de Ouro Branco (MG) e psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Campos é militante petista desde a década de 1980 e presidiu o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte.
A ex-prefeita lidera as intenções de voto oscilando entre 21% e 24%, segundo a última pesquisa Real Time Big Data, divulgada no dia 30 de julho. A candidatura é vista com entusiasmo pelos partidos de esquerda, em razão da viabilidade eleitoral, mas também pelo reforço ao palanque de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição presidencial, no estado que é o segundo maior em tamanho do eleitorado do país.
Outra forte concorrente do campo progressista é a vereadora mais votada da capital mineira nas eleições de 2016, Áurea Carolina (PSOL). Natural do Tucuruí (PA), mas criada em Belo Horizonte, Carolina foi também deputada federal e é educadora popular com mestrado em ciências políticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Com uma trajetória ligada à defesa dos direitos humanos, da igualdade racial, das mulheres, da cultura e das populações periféricas, a ex-deputada comporá a chapa encabeçada por Patrus Ananias (PT) ao lado de Marília Campus, selando o apoio da federação Psol-Rede ao petista. Carolina aparece nas pesquisas com entre 8% e 9% de intenção de votos.
A Unidade Popular (UP) entra na disputa pelas vagas com dois candidatos: Ana Luiza do MLB e Fidélis Alcântara. A primeira, é militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), atuando fundamentalmente na luta por moradia popular e direitos sociais. Sua candidatura e atuação é ancorada nos movimentos comunitários e defesa de políticas públicas para populações de baixa renda.
Já Alcântara é publicitário, escritor e militante na pauta do direito à cidade, moradia e aos direitos humanos. Nascido no Vale do Rio Doce, viveu desde a infância em Belo Horizonte e ficou conhecido ao disputar o governo de Minas pelo Psol em 2014. Integrando a UP, ele defende pautas relacionadas à participação popular, à reforma urbana e ao combate às desigualdades sociais. Ambas as candidaturas se inserem na chapa pura encabeçada por Indira Xavier (UP).
Fechando as candidaturas das esquerdas, ainda no dia 24 de julho, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) indicou também dois concorrentes às vagas do Senado Federal. Compondo a chapa que pleiteia Rafael Duda (PSTU) para governador estão Jordano Carvalho (PSTU) e Victoria Mello (PSTU).
Conhecido como Jordano Metalúrgico, Carvalho é dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos em São João del-Rei e atua na Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais e na Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas). O sindicalista já foi candidato a governador de Minas, a vice-governador e à Prefeitura de São João del-Rei.
Por sua vez, Mello é professora e servidora pública municipal e ligada ao movimento sindical da educação. Já tendo integrado a direção do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), foi candidata do PSTU em diversas eleições, incluindo para a Prefeitura de Juiz de Fora em 2024.
Candidaturas de direita ao senado
No campo da centro-direita, embora ainda não confirmada oficialmente, é esperada a candidatura de Marcelo Aro (PP). O político é advogado, jornalista e mestre em direito constitucional e foi secretário chefe da Casa Civil do governo de Romeu Zema. Mas, recentemente, rompeu com o Palácio Tiradentes, anunciando uma pré-candidatura ao governo estadual.
Dias depois, no último dia 5, com a oficialização da aliança entre PSD, Federação União Progressista (União Brasil e PP), Novo, Federação PRD-Solidariedade e Avante, foi definido que não haverá coligação para o Senado. Com isso, Aro disputará uma vaga ao Senado em uma candidatura considerada “avulsa”, ou seja, sem integrar formalmente a coligação majoritária.
Por sua vez, a extrema direita aparece representada nas candidaturas de Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL). Viana é jornalista e tenta a reeleição para o Senado, cargo que ocupa desde 2019. Nascido no Vale do Rio Doce, o político foi apoiador de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro e construiu carreira no jornalismo passando por emissoras como TV Alterosa, TV Record Minas e Rádio Itatiaia. Em 2022, foi candidato ao governo estadual e em 2024 à Prefeitura de Belo Horizonte, sem ter sido eleito em nenhuma das disputas.
Único candidato do PL para o senado em Minas, Sávio é presidente da legenda no estado e deputado federal. Veterinário de formação e natural da região do campo das vertentes mineiro, foi vereador e prefeito de Divinópolis, além de deputado estadual por oito anos. Eleito para a Câmara dos deputados, em 2011, ele está no quarto mandato como deputado federal.
Por fim, o partido Democracia Cristã deve lançar Ramon Moreira (DC), juiz aposentado e presidente estadual do partido em Minas Gerais. Nascido em Campo Belo, Moreira já disputou os cargos de prefeito de Campo Belo e de deputado federal, mas não foi eleito. Assumiu este ano a presidência estadual do DC e agora disputa por uma vaga no Senado.
