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Fórum que debate fortalecimento da rede de proteção às mulheres no DF tem inscrições abertas

Encontro será realizado no dia 17 de agosto e marca duas décadas da Lei Maria da Penha

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Aos 20 anos, Lei Maria da Penha é pano de fundo de debate no DF sobre prevenção à violência e fortalecimento da rede de proteção às mulheres
Aos 20 anos, Lei Maria da Penha é pano de fundo de debate no DF sobre prevenção à violência e fortalecimento da rede de proteção às mulheres | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As inscrições estão abertas para participar da terceira edição do Fórum de Integração Todas Elas, que será realizada em 17 de agosto na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília. O encontro vai reunir representantes do Judiciário, da Segurança Pública, das redes de atendimento e proteção, gestores, profissionais e a comunidade para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.

Promovido pelo Núcleo de Gênero do MPDFT, o fórum ocorre no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A programação terá como eixo o fortalecimento da atuação integrada entre os diferentes serviços e instituições que recebem, acolhem e acompanham mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

O debate acontece diante de um cenário em que a violência permanece presente na vida de grande parcela das mulheres do Distrito Federal. Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), realizada em parceria com a Secretaria da Mulher, aponta que 77,6% das mulheres entrevistadas já passaram por alguma situação de violência praticada por parceiro íntimo ao longo da vida. Apesar disso, apenas 44,8% reconhecem ter vivido esse tipo de violência.

O levantamento, divulgado em 2026, ouviu moradores do DF entre 3 e 18 de novembro de 2025 e reuniu 5.093 questionários completos. A pesquisa analisou não apenas a ocorrência da violência, mas também suas diferentes manifestações, as consequências para as vítimas e a percepção da população sobre o problema.

Violência ainda é difícil de reconhecer

Os números ajudam a dimensionar um dos desafios que estarão por trás das discussões do fórum: a identificação da própria violência. Segundo o estudo, as formas psicológica, física e sexual aparecem entre as mais frequentes, enquanto as violências moral, psicológica e patrimonial estão entre as menos reconhecidas pelas próprias mulheres como violência doméstica.

A pesquisa também identificou que 21,5% das mulheres entrevistadas sofriam alguma violência no período analisado. Entre as entrevistadas, 15,4% estavam casadas ou moravam com o parceiro agressor.

As consequências ultrapassam as agressões em si. Entre as vítimas que reconhecem ter sofrido violência, 93,5% relataram algum impacto, incluindo depressão ou tristeza, ansiedade ou estresse, medo, raiva, baixa autoestima ou sentimento de vulnerabilidade. Em 58,3% dos casos, filhos ou enteados presenciaram a violência.

O problema também aparece na percepção da população. Para 77% dos entrevistados, a violência doméstica havia aumentado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 78,5% afirmaram conhecer ao menos uma amiga ou familiar que vivenciou violência doméstica.

Integração da rede de atendimento

É nesse contexto que o Fórum de Integração Todas Elas pretende colocar em discussão a capacidade de resposta do poder público. Uma das atividades previstas é a apresentação dos resultados do Formulário de Avaliação de Equipamentos e Serviços de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Ames), elaborado no âmbito do Projeto Todas Elas.

O diagnóstico analisa serviços e equipamentos que integram a rede de atendimento às mulheres no Distrito Federal. A proposta é utilizar os resultados para discutir gargalos e possibilidades de aprimoramento da atuação das instituições responsáveis pelo acolhimento, proteção e garantia de direitos.

A programação também contará com um painel sobre Políticas de Prevenção do DF e Resultados, reunindo instituições governamentais e parceiras para apresentar programas, projetos e ações desenvolvidos para prevenir as diferentes formas de violência de gênero.

Outro eixo será o painel técnico-jurídico “Estratégias de Proteção e Responsabilização”, dedicado ao atendimento das mulheres em situação de violência doméstica e familiar no Sistema de Segurança Pública e no Sistema de Justiça. A discussão deve abordar desde o acolhimento e a proteção das vítimas até os mecanismos de responsabilização dos autores das agressões.

Memória de uma vítima de feminicídio

A programação também abre espaço para a dimensão histórica da violência contra as mulheres. O fórum receberá a exposição “Memórias e Silêncio”, da artista visual Valéria Teixeira Lima.

A mostra parte de uma história familiar: a avó paterna da artista foi vítima de feminicídio cometido pelo marido em 1965, no interior do Ceará. O crime ocorreu décadas antes da criação de instrumentos legais específicos para o enfrentamento à violência doméstica e, segundo as informações divulgadas pelo MPDFT, não chegou ao conhecimento da polícia nem da Justiça.

Ao recuperar essa memória justamente no ano em que a Lei Maria da Penha chega às duas décadas, a exposição propõe uma reflexão sobre o silenciamento da violência de gênero e sobre a importância do acesso das mulheres à proteção e à Justiça.

Todas Elas

O projeto Todas Elas é coordenado pelo Núcleo de Gênero e pela Coordenadoria Executiva Psicossocial (Ceps) do MPDFT e atua na construção de fluxos locais de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A iniciativa articula o Ministério Público com redes locais formadas por diferentes atores institucionais e comunitários. As Assessorias de Perícia e Acompanhamento de Políticas Públicas (Apapps) também atuam nos territórios, identificando demandas, mobilizando instituições e assessorando as promotorias.

A terceira edição do fórum integra ainda os Ciclos de Diálogos da Lei Maria da Penha, promovidos a partir de orientação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em razão dos 20 anos da legislação.

Serviço

3º Fórum de Integração Todas Elas

Data: 17 de agosto de 2026

Horário: das 13h30 às 18h

Local: auditório da sede do MPDFT, em Brasília

Entrada: gratuita

Inscrições abertas, por formulário disponibilizado pelo MPDFT.


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Editado por: Clivia Mesquita

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