A partir desta sexta-feira (8), a Oficina Francisco Brennand, na Várzea, Zona Oeste do Recife, passa a receber a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo com a exposição “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, em cartaz até 18 de outubro. A abertura ao público acontece das 9 horas às 16 horas, com entrada gratuita no dia da inauguração.
A chegada da mostra, que marca o retorno da Bienal à capital pernambucana após 15 anos, inaugura também o ciclo de celebrações pelos 100 anos de nascimento de Francisco Brennand, comemorados em junho de 2027, e será acompanhada pela abertura inédita do ateliê do artista à visitação.
A itinerância reúne, no Recife, um recorte da 36ª Bienal de São Paulo com obras de 14 artistas. Organizada pelos curadores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei, a exposição estabelece conexões entre a produção contemporânea e referências culturais pernambucanas que inspiraram a concepção curatorial da Bienal, como o movimento Manguebit e o encontro dos rios Capibaribe e Beberibe, tratados como metáforas de convivência, intercâmbio e construção coletiva.
Ao receber a mostra, a Oficina Francisco Brennand reforça um projeto institucional desenvolvido desde 2019, quando passou a atuar como instituto cultural sem fins lucrativos. Desde então, o espaço ampliou sua atuação para além da preservação do acervo do artista, investindo em exposições, programas educativos, pesquisa, residências artísticas e ações voltadas à circulação nacional e internacional da obra de Brennand.
A recepção da Bienal dialoga diretamente com essa proposta de aproximar o legado do artista das discussões contemporâneas. Nos últimos anos, a instituição promoveu exposições como Cosmo/Chão, Invenção dos Reinos e CapiDançaBaribéNois, consolidando o museu-ateliê como um espaço de encontro entre diferentes linguagens e perspectivas.
Além da exposição da Bienal, o público poderá conhecer pela primeira vez o ateliê original de Francisco Brennand. O espaço foi restaurado e reorganizado para preservar a configuração utilizada pelo artista durante décadas, reunindo biblioteca, manuscritos, mobiliário, ferramentas de trabalho, documentos, fotografias e objetos pessoais.
Após o falecimento de Brennand, em 2019, a equipe de Acervo e Documentação realizou um amplo inventário do local, identificando cerca de 17 mil itens entre livros, fotografias, materiais de trabalho, móveis e obras inéditas. O resultado desse trabalho deu origem ao percurso expositivo “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”, dividido entre uma área interpretativa sobre o processo criativo do artista e a preservação do ambiente original onde ele desenvolvia sua produção.
Segundo a instituição, a abertura do ateliê e a chegada da itinerância da Bienal simbolizam o início das ações comemorativas do centenário de Francisco Brennand e reafirmam a vocação da Oficina como um espaço de preservação, pesquisa e diálogo permanente entre patrimônio artístico e criação contemporânea.
Durante o período da Bienal, a Oficina funcionará de terça a domingo, das 9 horas às 16 horas. Os ingressos custam R$ 50, com meia-entrada a R$ 25. Moradores de Pernambuco pagam R$ 40, com meia-entrada de R$ 20. Às terças-feiras, a entrada será gratuita durante toda a temporada da exposição.
