O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, o republicano Marco Rubio, a quem classificou como “latinoamericano frustrado”. Em discurso no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), o chefe do Executivo brasileiro atribuiu a Rubio parte dos problemas na relação com Donald Trump.
Lula explicou que sua equipe faz telefonemas semanais com o governo Trump e enviou diversos documentos comprovando falácias nos argumentos utilizados para implementar as últimas tarifas contra o Brasil.
“Tem um cidadão lá que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é bolsolarista, que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Ele não gosta. Eu disse para o Trump: ‘Esse moço não gosta do Brasil’. Ele é um anti-latinoamericano ou um latinoamericano frustrado.”
O presidente brasileiro recordou que Rubio tem ascendência cubana. Seu pai, Mario Rubio Reina, imigrou para os Estados Unidos em 1956, três anos antes da Revolução Cubana. “Ele é um descendente de cubano de Miami. Então ele odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil. E ele faz as coisas diferente daquilo que a gente conversa com Trump”, disse Lula.
Quem é Marco Rubio
O posto de Secretário de Estado dos Estados Unidos apresenta similaridades com o de um ministro de relações exteriores. Trata-se de um cargo dentro do Departamento de Estado, nomeado diretamente pela presidência da República.
Rubio é um político republicano há mais de 20 anos, próximo de algumas das alas mais conservadoras do partido. Já teve mandatos na Câmara dos Representantes da Flórida (2000–2008) e no Senado dos Estados Unidos (2011–2025).
Quando a última rodada de tarifas contra o Brasil foi implementada, Rubio fez acusações contra o presidente brasileiro na rede social X. “Que não haja dúvidas sobre o motivo [das taxas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé”, disse. “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que buscasse o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”
Reuniões com Trump
O presidente Lula também recordou em seu discurso várias das vezes em que encontrou Donald Trump. Disse que, em seus encontros, sempre reforçou a necessidade de uma atitude harmônica para suas relações e para o mundo.
“Ele sempre me tratou com muito respeito. Eu trato ele com muito respeito”, disse Lula. Na Malásia, ele afirma ter dito a Trump: “A gente tem que passar para o mundo a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo, que têm uma relação diplomática com 201 anos, e que a gente tem que passar pro mundo uma certa harmonia.”
O chefe de Estado brasileiro também voltou a desmentir informações apontadas como justificativas para as tarifas no Brasil, como a alegação de que o país é leniente com o desmatamento e o trabalho escravo.
“Eu duvido que nesse mundo tenha alguém que leve mais a sério, nesse momento histórico da humanidade, a questão climática como nós aqui no Brasil. Eu duvido que tenha alguém que leve [mais] a sério o trabalho de crianças e menores como leva o Brasil. Duvido! A Organização Mundial do Trabalho cansa de elogiar o Brasil”, concluiu.
