O Rio Innovation Week é a maior conferência de tecnologia, inovação e negócios da América Latina. O evento reúne empreendedores, investidores, startups, acadêmicos e grandes corporações para discutir tendências como Inteligência Artificial, sustentabilidade e o futuro da sociedade.
Na quinta-feira (6), o palco criado pela Raízes do Campo deu espaço para o debate sobre agricultura familiar na mesa “O futuro da alimentação na era das redes sociais”, com a participação da equipe do Brasil de Fato. A discussão partiu de uma provocação da própria organização do evento: como comunicar a agricultura familiar, a agroecologia e a soberania alimentar de maneira capaz de gerar confiança, mobilização e transformação real, em um cenário marcado pela desinformação e pela polarização.
Para Carla Guindane, sócia-diretora da Raízes do Campo, o tema ter espaço em um evento dessa magnitude só prova a urgência e a transversalidade do debate. “Falar de inovação é, antes de tudo, falar de agricultura familiar, de como a gente produz, de como a gente alimenta o mundo, de como a gente preserva, regenera e cuida das nossas nascentes; fez todo sentido. É falar de agroecologia, que é a inovação mais incrível que existe”, afirma.
Outra importante mesa do dia foi a “Territórios que alimentam o futuro”, que contou com a participação de João Paulo Rodrigues, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), debatendo a importância da produção de comida de verdade, da reforma agrária e da redemocratização das terras.
“Nós temos pouco mais de 800 milhões de hectares de terra e, desse total, são considerados terras agricultáveis 250 milhões de hectares, e o povo brasileiro só produz em 100 milhões. Com isso, estou afirmando que temos 200 milhões de hectares de terras improdutivas e que não cumprem sua função social. A gente vive essa contradição”, defende.
A mesa aconteceu no palco do agronegócio e, segundo Guindane, que mediou a mesa, foi uma boa oportunidade para fazer com que as pessoas reflitam os pontos de convergência e divergência dentro da perspectiva de produção de alimentos.
“Acho que essa é uma oportunidade de falar, em um evento tão diverso e tecnológico, sobre algo que a gente precisa defender em todos os espaços. Então, estamos felizes e contentes de estar aqui. Trazer a agricultura familiar é sempre uma tarefa que a gente precisa levar para o cotidiano e, onde houver oportunidade, a gente precisa conversar sobre isso”, avalia Carla Guindane.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
