Nesta semana, diversas cidades do Brasil receberam alertas da chegada de um ciclone com potencial poder de destruição por causa dos ventos que poderiam chegar a 100 km/h. Aulas chegaram a ser suspensas em algumas cidades. Na terça-feira (28), uma forte ventania vinda do sul atingiu o Rio Grande do Sul, causando um tornado. Fenômeno que se repetiu nesta quinta-feira (6). Fortes ventanias também chegaram ao Rio de Janeiro e ao litoral de São Paulo, causando mortes.
O professor de física atmosférica Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), destaca que os ciclones, nas suas mais variáveis intensidades, são fenômenos naturais bastante conhecidos e que surgem em momentos em que frentes frias vindas do sul “colidem com a massa de ar quente, causando uma turbulência climática”.
O professor destaca ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que, portanto, são fenômenos que sempre aconteceram e vão continuar acontecendo. Contudo, segundo Artaxo, a intensidade com que eles vêm acontecendo pode ter influência das mudanças climáticas globais, que estão aquecendo a atmosfera de uma maneira muito rápida e muito forte, “como a ciência já alerta há mais de 50 anos”.
Nesse sentido, a chave é como a população pode se preparar para eles. “Nós temos que nos adaptar a esse novo clima. A gente já observa intensificações muito grandes, tanto na intensidade dessas ventanias, frentes frias violentas que chegam no sul do Brasil, quanto na frequência, já que elas são cada vez mais comuns”, explica.
Para ele, a repetição dos acontecimentos com pouco tempo de intervalo é um alerta importante de que se faz urgente a interrupção imediata da exploração de combustíveis fósseis. Além disso, é importante investir em mecanismos de adaptação. “Isso significa, por exemplo, emitir alertas com bastante precisão para a população sobre o que fazer, onde fazer e como fazer, nessas situações de emergência. E trabalhar montando defesas civis que sejam melhor equipadas, que estejam prontas para proteger a população nesses eventos que estão ficando cada vez mais frequentes e mais destrutivos”, avalia Paulo Artaxo.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
