CLIMA EXTREMO

Temporais deixam um morto e danos em 114 municípios do RS; tornado atinge Pedro Osório

Defesa Civil contabiliza cinco feridos e 2,3 mil desalojados; rajadas de vento passaram de 130 km/h

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Moradores filmaram tornado em Pedro Osório, segundo fenômeno do tipo registrado no RS em menos de dez dias
Moradores filmaram tornado em Pedro Osório, segundo fenômeno do tipo registrado no RS em menos de dez dias | Crédito: Reprodução redes sociais

Os temporais que atravessaram o Rio Grande do Sul entre a tarde de quinta-feira (6) e a madrugada desta sexta-feira (7) deixaram uma pessoa morta, cinco feridas, 2,3 mil desalojadas e danos em 114 municípios. Quedas de árvores, bloqueios de vias, destelhamentos e prejuízos em residências estão entre as principais ocorrências. Em Pedro Osório, no Sul, a Defesa Civil confirmou a passagem de um tornado.

A morte ocorreu em Montenegro, no Vale do Caí. Um motociclista de 33 anos morreu em um acidente envolvendo uma árvore caída na RS-124 durante o temporal. A Defesa Civil também registrou três feridos em Dom Feliciano, um em Novo Hamburgo e um em Osório.

A Defesa Civil estadual informou na tarde desta sexta-feira que 114 municípios haviam reportado danos relacionados às tempestades. As principais ocorrências envolvem quedas de árvores, obstruções de vias e danos em telhados e estruturas de residências.

Os vendavais alcançaram velocidades superiores a 100 km/h em diferentes regiões. O levantamento da Defesa Civil registrou a maior rajada em General Câmara, com 134,3 km/h. Porto Alegre chegou a 120,4 km/h; Canoas, a 113 km/h; Pouso Novo, a 110,7 km/h; Charqueadas, a 104 km/h; e Arroio Grande, a 103,5 km/h.

Na Capital, uma estação do Clube Jangadeiros, na zona Sul, registrou ainda rajada de 132 km/h. No Aeroporto Internacional Salgado Filho, na zona Norte, o vento chegou a 120 km/h.

A linha de instabilidade esteve associada à formação e à rápida intensificação de um ciclone extratropical na altura do Uruguai. O sistema avançou pelo estado produzindo tempestades severas, vendavais e granizo.

Tornado atinge Pedro Osório

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado (CMDEC) confirmou a ocorrência de um tornado na região de Matarazzo, no interior de Pedro Osório. O fenômeno ocorreu por volta das 17h15 de quinta-feira e esteve associado a uma supercélula, tempestade caracterizada pela presença de rotação.

Vídeos gravados por moradores auxiliaram na confirmação. Foram registrados danos na localidade atingida. O novo relatório estadual aponta prejuízos em um curral de manejo de gado e em três residências. A prefeitura informou que equipes percorreram a área e encontraram outros prejuízos materiais, mas nenhum morador ficou ferido.

A Defesa Civil estadual havia emitido um alerta às 15h50 para a região, com validade até as 19h50, indicando risco alto de destelhamentos diante da possibilidade de tempestades acompanhadas de vento e granizo.

Foi o segundo tornado confirmado no Rio Grande do Sul em um intervalo inferior a dez dias. Em 28 de julho, outro fenômeno associado a uma supercélula atingiu áreas de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste gaúcho.

Muro de presídio desaba em Pelotas

Queda de árvores em Rosário do Sul
Queda de árvores em Rosário do Sul | Crédito: Defesa Civil de Rosário do Sul

Pelotas também registrou danos expressivos durante a passagem do temporal. Parte do muro do Presídio Regional de Pelotas desabou em meio aos fortes ventos. Não houve feridos, e a segurança no local foi reforçada diante do risco de queda de outras partes da estrutura.

A cidade teve ainda destelhamentos, quedas de postes, árvores e muros, além de problemas no fornecimento de energia elétrica. Em Piratini, onde houve queda de granizo, a Defesa Civil atualizou o balanço para 60 residências com danos nos telhados. Rio Grande também teve 60 casas atingidas, além de prejuízos em um pavilhão e uma escola.

Entre os municípios com maior número de residências afetadas está Minas do Leão, onde mais de 300 casas tiveram danos nos telhados e cerca de 500 pessoas ficaram desalojadas. Caseiros registrou 140 residências atingidas; Santa Cruz do Sul, mais de 100; e Sapiranga, aproximadamente 90. Em Santa Cruz, o vento também destruiu estruturas do Parque de Eventos e derrubou árvores e postes.

Montenegro registrou danos em telhados de 50 residências, enquanto em Portão houve destelhamentos, obstruções de vias e danos no telhado do hospital municipal.

Os estragos chegaram também à Serra. Em Canela, foram atendidas mais de 16 ocorrências, entre elas 11 destelhamentos e cinco quedas de árvores. Em Picada Café, aproximadamente 18 árvores caíram somente no trecho da BR-116 entre os quilômetros 188 e 208, além de haver registros de destelhamentos e danos na rede elétrica.

Porto Alegre registra 44 ocorrências

Na Capital, a Defesa Civil contabilizava 44 ocorrências até as 7h30 desta sexta-feira. Foram 32 destelhamentos, sete quedas de vegetais, três vistorias ou inspeções técnicas e dois desabamentos.

A intensidade do vento foi uma das maiores registradas na cidade em anos. Além dos 132 km/h no Clube Jangadeiros, o Aeroporto Salgado Filho registrou 120 km/h. No Cais do Porto, no Centro Histórico, o vento chegou a 98 km/h.

Na Região Metropolitana, Canoas registrou 113 km/h e Eldorado do Sul, 107 km/h. Em Montenegro, onde ocorreu a morte do motociclista, uma estação meteorológica registrou rajada de 87,1 km/h.

Ciclone mantém vento forte nesta sexta

Mesmo após a passagem da linha de tempestades, o ciclone extratropical continua provocando vento forte no Rio Grande do Sul nesta sexta-feira.

No Sul e na Campanha, são previstas rajadas persistentes entre 70 km/h e 90 km/h, com possibilidade de marcas isoladas próximas ou superiores a 100 km/h. O maior risco de ventos acima dessa velocidade se concentra no Litoral Sul, entre Chuí e Rio Grande.

Em Porto Alegre e outras áreas do Leste gaúcho, as rajadas devem ficar predominantemente entre 60 km/h e 80 km/h, podendo atingir valores superiores de forma isolada. A tendência é de enfraquecimento do vento entre a tarde e a noite desta sexta, à medida que o ciclone se afasta.

Editado por: Marcelo Ferreira

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