Luta por moradia

Em ato de 30 anos do MTST, Lula celebra qualidade de construções do Minha Casa Minha Vida Entidades: ‘Pobre não gosta de coisa de segunda classe’

Presidente citou meta de 3 milhões de casas e elogiou prédios do MTST com elevador e 60m² como exemplo de dignidade

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Presidente Lula em comemoração aos 30 anos do MTST, em Taboão da Serra (SP)
Presidente Lula em comemoração aos 30 anos do MTST, em Taboão da Serra (SP) | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, no final da manhã deste sábado (8), da celebração dos 30 anos de fundação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

No discurso para milhares de militantes durante o ato no Ginásio Ayrton Senna, em Taboão da Serra (SP), Lula reforçou seu compromisso com moradias e disse que seu governo mostra que o povo trabalhador merece o melhor: “Eu vim para a Presidência da República para provar para eles que o pobre não gosta de coisa de segunda classe”.

Durante o evento, o governo anunciou novos projetos do programa Minha Casa, Minha Vida. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, figura histórica do movimento, destacou o avanço na política habitacional, ressaltando que o governo saiu do “zero” e já alcançou a marca de 2,6 milhões de casas contratadas no terceiro mandato do presidente Lula.

Desse montante, o ministro disse que 400 mil apartamentos foram viabilizados pelo programa “Imóvel da Gente”, que recupera prédios públicos abandonados para moradia popular. Complementando os números, Lula reafirmou sua meta de acelerar as entregas e fez a promessa de que o governo chegará a 3 milhões de casas contratadas até dezembro deste ano.

O presidente falou sobre a importância da independência das mulheres, que são maioria no movimento. Ele defendeu que a moradia e a educação são caminhos para que as mulheres tenham autonomia e não precisem viver com ninguém “a troco de um prato de comida ou de um aluguel”.

MTST

Lula iniciou seu discurso reconhecendo a importância histórica da organização. Para ele, o Brasil tem o privilégio de contar com um grupo tão preparado. “Não é qualquer país do mundo que tem um movimento com a seriedade que vocês conseguiram impor ao MTST. Não é qualquer país do mundo que tem um movimento com esse grau de politização, de preparação e de disposição de luta”, afirmou.

O presidente compartilhou suas memórias pessoais para explicar por que a habitação é uma prioridade central em seu governo. Lula relembrou os tempos em que morava em áreas de enchente, onde a água chegava a subir 1,20 metro dentro de casa, trazendo ratos e baratas. Ele destacou que “é preciso passar por isso para saber o que é prioridade e cuidar do povo mais necessitado deste país”.

Em um dos momentos mais marcantes, Lula criticou a visão preconceituosa que muitos setores da elite e até do próprio governo tinham sobre a capacidade dos movimentos sociais de gerir obras. Ele lembrou que, no início do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) Entidades, havia uma “visão elitista” que duvidava da competência das entidades para construir casas de qualidade.

“Por que vocês conseguiram fazer isso? Por que vocês provaram que é possível fazer maior, mais barato e de melhor qualidade? Alguma coisa me diz que o que vocês estão fazendo de milagre é que o lucro é importante, mas não é só o lucro que faz da gente trabalhar bem, é que as comunidades trabalham com muito amor para fazer as casas que eles mesmos vão morar”, disse o presidente.

O MCMV Entidades é uma modalidade do programa federal que financia a construção ou reforma de moradias para famílias de baixa renda por meio da autogestão.

Desmatamento e recado a Trump

Em seu discurso, o presidente destacou ainda sua recente visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, onde foram apresentados dados que apontam a queda do desmatamento no Brasil para o menor nível desde 2016.

Lula afirmou ter registrado os números pessoalmente para comprovar os avanços na preservação ambiental do país sob sua gestão. Ele relacionou esses resultados positivos às recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil, que teriam sido justificadas sob o argumento de que o governo brasileiro não estaria cuidando da proteção das florestas.

O presidente criticou essa justificativa, afirmando que as sanções comerciais foram baseadas em informações incorretas sobre a realidade ambiental brasileira. Lula disse que pretende enviar os relatórios oficiais diretamente a Donald Trump para mostrar que o presidente estadunidense foi mal informado.

Editado por: Rodrigo Chagas

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