O cantor, compositor e violonista pernambucano Clayton Barros lançou “Primitivo Atemporal”, primeiro álbum de sua carreira solo. Disponível nas plataformas digitais desde a última sexta-feira (7), o trabalho reúne dez composições autorais inspiradas na identidade, na história e na diversidade cultural do Sertão.
O trabalho nasce como uma celebração da ancestralidade e da capacidade de transformação do Sertão ao longo do tempo. A proposta de “Primitivo Atemporal” é aproximar passado e futuro em uma mesma narrativa, explorando temas como os povos originários, a cultura negra, os processos de miscigenação, a relação com a natureza, o misticismo e a resistência cultural. Essa ideia também aparece na capa do álbum, fotografada por Fred Jordão, que retrata um vaqueiro de gibão sobre uma motocicleta, símbolo da convivência entre tradição e modernidade.
“O disco fala sobre o Sertão desde a capa até as letras e os ritmos das músicas. É uma homenagem aos povos sertanejos, que seguem lutando por sua sobrevivência, identidade e importância histórica”, afirma Clayton.
Natural de Arcoverde, no Sertão do Moxotó, o músico explica que a obra reflete as transformações vividas na região, onde tecnologia, cultura popular, educação e manifestações artísticas convivem diariamente. Para ele, o conceito de “Primitivo Atemporal” representa justamente esse encontro entre a sabedoria ancestral e as possibilidades do presente.
Musicalmente, o álbum tem o violão como eixo principal. Clayton gravou quatro instrumentos diferentes, entre violões de nylon, aço, de 12 cordas e um modelo clássico Ovation, além de guitarra. A partir dessa base, o repertório percorre ritmos como baião, samba, repente, rap, rock, MPB, música eletrônica e funk, construindo uma sonoridade que dialoga tanto com o universo sertanejo quanto com referências urbanas.
Entre as dez canções estão “Ancestral”, “Barco Sem Rumo”, “Primitivo Atemporal”, “Rio de Janeiro/Moxotó”, “Serena”, “Tempo É Agora”, “Corpo Inteiro”, “Mais Além”, “Venha ao Cais” e “Faroeste”. A faixa-título reúne Clayton e BNegão tanto na composição quanto nos vocais. Jéssica Caitano participa de “Ancestral”, contribuindo com voz, letra e pandeiros, enquanto Flaira Ferro divide os vocais em “Serena”. O disco também conta com Fernando Catatau, da banda Cidadão Instigado, nas guitarras de “Venha ao Cais”, além das participações de André Zahar e Tonino Arcoverde em “Rio de Janeiro/Moxotó”.
Cada composição apresenta um recorte diferente do universo proposto pelo artista. Há reflexões sobre o tempo, o amor, o desejo, a religiosidade, as paisagens do interior, a memória coletiva e episódios marcantes da formação histórica do Sertão, sempre conectando tradição e contemporaneidade.
As gravações aconteceram nos estúdios Estelita e Cacimba, no Recife, e Casona Estúdio, em Jaboatão dos Guararapes. Felipe Weinberg também assina os arranjos, a mixagem e a masterização do projeto, enquanto a engenharia de gravação ficou sob responsabilidade dele e de João Felipe Cavalcante. O álbum foi realizado com recursos do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC Recife), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura do Recife.
Fundador do Cordel do Fogo Encantado ao lado de Lirinha, em 1997, Clayton Barros construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura popular nordestina. Paralelamente ao trabalho com a banda, passou a lançar músicas autorais na carreira solo a partir de 2019, acumulando parcerias com artistas como Chico César, Marco Polo, Jorge Du Peixe, Isaar, Juliano Holanda, Maciel Melo e Juba Valença.
Além da chegada às plataformas digitais, “Primitivo Atemporal” também ganhou sua primeira apresentação após o lançamento na última sexta-feira (7), durante o Projeto Seis e Meia, no Teatro do Parque, no Recife, quando Clayton Barros apresentou ao público parte do repertório do novo trabalho na abertura do show de Michael Sullivan. As canções do disco passam a integrar as próximas apresentações do artista ao lado de músicas que marcaram sua trajetória no Cordel do Fogo Encantado, como “Boi Luzeiro” e “Chover”.
O álbum é produzido por Felipe Weinberg e lançado pelo selo Estelita, o disco traz participações de Flaira Ferro, Jéssica Caitano e BNegão e teve sua estreia nos palcos na mesma data, durante apresentação no Projeto Seis e Meia, no Teatro do Parque, no Recife.
