Socialismo

‘Nós vamos mudar o mundo’: Díaz-Canel se reúne com 4ª Assembleia da Alba Movimentos

Presidente cubano defende unidade dos movimentos populares diante da ofensiva imperialista e da extrema direita

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IV Assembleia da ALBA Movimentos
IV Assembleia da ALBA Movimentos | Crédito: Presidencia Cuba

“Que vocês estejam hoje aqui em Cuba é uma ousadia e um ato de enorme valor, porque estão em Cuba e porque estão com Cuba”, afirmou, neste sábado (8), o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, diante de mais de 180 delegados de 27 países que participam da 4ª Assembleia Continental da Alba Movimentos, em Havana, capital cubana.

Durante um longo intercâmbio de reflexões e experiências, no qual se apresentou como mais um militante, o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba compartilhou uma ampla análise sobre a difícil situação enfrentada pela Revolução Cubana, as agressões imperialistas e os desafios colocados aos revolucionários.

“A solidariedade representa o elo mais alto a que a humanidade pode aspirar”, afirmou Díaz-Canel, expressando, nessa ideia, um dos princípios do ideário da Revolução Cubana.

Em uma extensa exposição, o presidente cubano abordou a escalada de agressões que o país enfrenta, desde o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas até as novas medidas adotadas por Washington desde o fim de janeiro, que aprofundaram a asfixia energética e ampliaram as ameaças contra entidades e empresas não estadunidenses que comercializam com o Estado cubano.

“A esse bloqueio recrudescido acrescentaram um bloqueio energético. Há sete meses não entra [petróleo]; entrou apenas um navio de petróleo.”

Em sua exposição, Díaz-Canel descreveu as consequências da guerra econômica de Washington e da asfixia energética sobre a população. Ele lembrou que, apesar de contar com um sistema público e universal de saúde, com capacidade de chegar a todos os cantos da ilha e de produzir parte dos medicamentos de que necessita, as medidas de Washington geraram uma situação crítica para milhares de pacientes. A impossibilidade de importar insumos indispensáveis à fabricação de medicamentos levou à interrupção de tratamentos.

“Há 98,5 mil pacientes estão na lista de espera para cirurgias, entre eles mais de 12 mil crianças. Há 34 mil gestantes que não puderam realizar a quantidade necessária de ultrassonografias pré-natais. Há 117 mil adultos e 1,2 mil crianças com câncer que hoje não têm acesso aos tratamentos de primeira linha de que precisam e são obrigados a recorrer a tratamentos de segunda ou terceira linha”, afirmou, com a voz trêmula, entre a indignação e a tristeza.

IV Assembleia da ALBA Movimentos
IV Assembleia da ALBA Movimentos | Crédito: Raúl Laffitte

Ao mesmo tempo, explicou que a pressão sobre as empresas de navegação impediu a chegada de mais de 9 mil contêineres com alimentos, insumos para a produção de medicamentos e sistemas fotovoltaicos destinados ao programa de transição energética.

Ainda assim, diante desse cenário, o mandatário afirmou: “Saibam que, mesmo nas piores circunstâncias, Cuba continuará lutando, continuará resistindo e continuará vencendo. Esse é o nosso compromisso com o legado imperecível de Fidel”.

“Nós vamos mudar o mundo”

Tendo como pano de fundo o avanço da extrema direita, que classificou como fascista, Díaz-Canel afirmou que serão as forças populares que terão em suas mãos a capacidade de transformar o rumo da história.

“Nós vamos mudar o mundo, nós que ocupamos as praças, que defendemos o território, que plantamos com agroecologia, que educamos nas periferias, que construímos redes de cuidado, que levantamos a voz contra o racismo e o patriarcado e que denunciamos a cumplicidade dos meios de comunicação hegemônicos”, afirmou. Ele acrescentou que esse trabalho está “na essência” da atuação da Alba Movimentos junto às organizações sociais.

Diante de um poder hegemônico que atua em escala global, o presidente cubano defendeu a necessidade de construir uma resistência capaz de se articular internacionalmente. Nesse contexto, convocou os movimentos a fortalecer “a unidade” diante da fragmentação, “a articulação” diante da desinformação e “a consciência” diante da resignação.

Em relação às acusações de Washington, que apresenta Cuba como um centro de articulação da esquerda e classifica como “terroristas” organizações e movimentos vinculados a ela, Díaz-Canel respondeu com ironia: “Cuba não precisa convencer ninguém da necessidade das revoluções e da necessidade do socialismo. Cuba não precisa exportar o socialismo nem as revoluções, porque é a história que nos dá as lições e os aprendizados sobre onde estão as causas dos problemas do mundo e qual deve ser o futuro”.

Também reivindicou a organização coletiva diante da lógica dos algoritmos e defendeu que o humanismo e a solidariedade sejam colocados à frente do egoísmo e do individualismo.

IV Assembleia da ALBA Movimentos
IV Assembleia da ALBA Movimentos | Crédito: Raúl Laffitte

“Coloquemos o humanismo à frente do egoísmo e do individualismo extremo; coloquemos a solidariedade à frente e, diante da colonização cultural, coloquemos a identidade”, afirmou.

O presidente cubano relacionou essa construção à necessidade de superar a crítica ao capitalismo e avançar na construção de alternativas concretas a partir dos territórios.

“Não basta condenar o capitalismo; é preciso construir o socialismo a partir dos territórios, das práticas cotidianas de solidariedade, do respeito à Mãe Terra e às diversidades humanas”, afirmou.

Ele convocou ainda parlamentos e governos a impulsionar leis que permitam enfrentar políticas de pressão externa. “É preciso mobilizar os parlamentos e os governos”, afirmou, ao questionar que um governo possa determinar, a partir dos Estados Unidos, com quem outro país pode comercializar.

No encerramento do encontro, Díaz-Canel voltou a destacar o significado da presença dos movimentos populares em Cuba: “Quando tantos no mundo se rendem aos mandatos de Washington, à sua criminosa ordem de nos desconectar do mundo, vocês escolheram estar em Cuba no momento mais difícil”.

Editado por: Monyse Ravena

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