A governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) trocaram críticas durante o primeiro debate entre os pré-candidatos ao governo do Distrito Federal, realizado neste domingo (9), pela Band Brasília. Os dois, que disputam espaço na corrida pelo Palácio do Buriti, carregam históricos distintos de processos judiciais relacionados à improbidade administrativa.
A situação jurídica dos dois pré-candidatos apareceu em diferentes momentos do debate. Arruda citou o processo relacionado à Operação Drácon, que envolve Celina Leão, enquanto a governadora fez referências às condenações do ex-governador no âmbito da Operação Caixa de Pandora.
A primeira provocação direta de Celina ocorreu quando ela questionou Kiko Caputo (Novo) sobre a situação jurídica de Arruda. Ao falar sobre honestidade na política, a governadora perguntou ao adversário o que ele pensava sobre um candidato que, segundo ela, acumulava condenações por improbidade e dívidas com os cofres públicos.
“O que o senhor acha sobre um pré-candidato que está com seis condenações de improbidade, devendo 598 milhões aos cofres públicos?”, questionou.
A governadora voltou ao tema em sua manifestação final, quando fez uma crítica indireta a Arruda sem citar seu nome. Ela afirmou que o Distrito Federal precisa de candidatos com ficha limpa e voltou a mencionar valores devidos aos cofres públicos. “Brasília precisa de quem ama ela de verdade, de quem tem a ficha limpa, de quem não deve mais de 600 milhões aos cofres públicos, de quem nunca foi presa. Brasília merece muito mais”, afirmou.
Histórico judicial
As críticas de Celina fazem referência ao histórico de Arruda em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009 para investigar um esquema de corrupção e pagamento de propina no Governo do Distrito Federal.
Em junho de 2026, a 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve uma condenação de Arruda por improbidade administrativa em um dos processos relacionados à operação. A decisão também determinou o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. O tribunal manteve ainda a obrigação de ressarcimento ao erário de R$ 257 mil. A decisão foi unânime, mas ainda pode ser contestada por recursos.
A Operação Caixa de Pandora investigou um esquema de corrupção instalado no governo do Distrito Federal entre 2006 e 2009. Segundo o TJDFT, o processo mantido em junho envolve contratos da empresa Call Tecnologia e Serviços e acusações de pagamento de propina a agentes públicos. O tribunal considerou comprovadas as condutas atribuídas a Arruda e aos demais réus condenados.
Celina, por outro lado, é ré em uma ação de improbidade administrativa relacionada à Operação Drácon, deflagrada em 2016 para investigar suspeitas de pagamento de vantagens indevidas relacionadas à destinação de emendas parlamentares na Câmara Legislativa.
A governadora e outros ex-deputados foram absolvidos na ação penal por corrupção passiva em março de 2025, por insuficiência de provas. A ação de improbidade, porém, continua em tramitação. Em abril de 2026, a 3ª Turma Criminal do TJDFT manteve o entendimento de que recurso relacionado ao caso deve ser analisado pelo Conselho Especial da Corte, seguindo novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre foro por prerrogativa de função.
Arruda defende Celina
Durante o debate, Arruda também fez críticas à atual gestão, mas adotou um tom diferente ao tratar da situação jurídica de Celina. Ao falar sobre sua própria candidatura, o ex-governador criticou o que chamou de tentativas de impedir candidatos de participar da eleição e defendeu que a decisão seja tomada pelo eleitor.
“Eu quero ter oportunidade de debater, disputar a eleição. Que o povo, o Distrito Federal, escolha quem é o melhor. Não é possível autoritarismo. Eles se acham donos do Distrito Federal, querem impedir o Arruda de ser candidato. Com isso eu não concordo, eu defendo a democracia”, afirmou.
Na sequência, Arruda fez uma defesa direta da adversária e citou o processo da Operação Drácon. “Eu queria pedir licença aqui para fazer uma defesa da candidata. Sim. É uma questão de respeito. Eu também defendo o direito da senhora de ser candidata, apesar da operação dela. Se não foi julgado até agora, que seja depois da eleição e a senhora possa disputar na urna com todos aqui”, disse.
A defesa ocorre enquanto o próprio Arruda enfrenta questionamentos judiciais sobre sua candidatura. Além da condenação mantida em junho, o ex-governador possui outros processos derivados da Caixa de Pandora com decisões de improbidade administrativa. Em um deles, o TJDFT já havia mantido a suspensão de direitos políticos e outras sanções, enquanto diferentes ações continuam sujeitas a recursos.
BRB
A troca envolvendo a situação judicial dos dois pré-candidatos aconteceu em meio a uma discussão mais ampla sobre o Banco de Brasília (BRB) e as contas públicas do Distrito Federal. Arruda questionou os números apresentados pelo governo Celina e afirmou que é necessário saber o tamanho do problema financeiro do banco. Ricardo Cappelli (PSB), que fazia o confronto direto com Arruda naquele momento, respondeu às críticas em tom mais ameno e apresentou questionamentos sobre a transparência da instituição.
Cappelli afirmou que o PSB havia acionado a Justiça para exigir que o BRB publique seu balanço antes de qualquer negociação sobre o futuro do banco. “Está há mais de um ano sem publicar o balanço. O que tanto eles escondem? Qual é o tamanho do rombo? Ninguém sabe”, afirmou.
O candidato também questionou os números apresentados pelo governo Celina sobre as contas públicas do Distrito Federal e cobrou explicações sobre a origem do superávit anunciado pela administração. “Eles disseram, textualmente, que quatro meses atrás tinha um buraco de R$ 5 bilhões, e agora tem o superávit de três. Em quatro meses, economizaram R$ 8 bi. Então nós, da sociedade, queremos saber onde estava esse dinheirão. Onde cortou?”, questionou.
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