A governadora Celina Leão (PP) tentou se desvincular da gestão de Ibaneis Rocha (MDB) e das decisões relacionadas à crise do Banco de Brasília (BRB), durante o primeiro debate realizado pela Band Brasília entre os pré-candidatos ao governo do Distrito Federal. O debate ocorreu neste domingo (9), no Teatro do Sesc Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, e reuniu os seis pré-candidatos ao governo do Distrito Federal: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).
Ao ser questionada sobre sua atuação no período em que ocupava como vice-governadora, Celina Leão afirmou que era contrária à aquisição do Banco Master e disse que não teve participação na decisão. Segundo a governadora, ela soube da operação pela imprensa e considerava que o BRB deveria manter seu caráter de banco regional. “Na época, eu fiquei sabendo pelo jornal. Não fui a favor porque eu acho que o BRB tem que ser o banco regional, não o banco nacional, como era o intuito à época”, afirmou Celina.
A resposta veio após uma pergunta da pré-candidata Paula Belmonte (PSDB), que questionou por que Celina, então vice-governadora, não havia atuado contra a operação. A cobrança, porém, foi além da posição da governadora enquanto vice: Paula lembrou que Celina é presidente do PP-DF, partido que possui três deputados na Câmara Legislativa, e questionou por que ela não orientou os parlamentares da legenda a votar contra medidas relacionadas ao Banco Master, já que havia declarado ser contrária à operação.
“Eu nunca orientei meus candidatos, meus deputados na Câmara Distrital. Cada um vota de acordo com a sua consciência”, afirmou a governadora. Celina também sustentou que não tinha atuação nas decisões tomadas pelo então governador.
Responsabilidade
Em outro momento, a declaração também foi confrontada por Leandro Grass (PT), que lembrou que Celina não chegou ao governo como uma figura externa à administração anterior. Para ele, a atual governadora precisa responder politicamente pelo período em que ocupou a vice-governadoria.
“É importante dizer que ela não herdou nada. Ela era vice-governadora. E este foi o pior governo da história de Brasília. Colocou o povo na fila da creche, na fila do exame, da cirurgia, colocou o povo na fila do trânsito com transporte horroroso”, afirmou Grass.
O pré-candidato também criticou o que considera uma tentativa de afastar responsabilidades depois que a crise do BRB veio à tona. Segundo ele, a falta de transparência sobre a situação do banco impede que a população saiba a dimensão do problema e quem deve responder pelas decisões tomadas.
“É muito interessante, porque na hora que a bomba estoura, ninguém tem nada a ver com isso. Todo mundo se esconde. Aí vão lá negociar o acordo sem publicar balanço, sem publicar auditoria e deixando os empregados do BRB numa ansiedade que a gente nunca viu”, criticou.
Grass defendeu que as informações sobre o banco sejam abertas e que as operações realizadas sejam investigadas. Para ele, a primeira medida de um eventual governo seria abrir os dados do BRB para identificar o destino dos recursos. “A primeira medida que a gente vai tomar quando começar a governar Brasília é abrir a caixa do BRB. O que que tem lá dentro? Quem é que mexeu? Para onde foram os bilhões?”, questionou.
Crise
O pré-candidato ao governo também relacionou a crise do banco à possibilidade de o custo de uma eventual recuperação recair sobre os serviços públicos. Segundo ele, o Distrito Federal não pode resolver o problema reduzindo recursos destinados à saúde, à educação ou aos servidores. “A solução que tenta encontrar é penalizar os servidores públicos, fazer um empréstimo que dizem que vai consertar o problema, mas não vai. Vai é fazer Brasília, e o povo do Distrito Federal, pagar a conta”, afirmou.
Ricardo Cappelli (PSB) também criticou a gestão de Celina durante o debate, embora tenha concentrado suas intervenções na situação da saúde pública. Ao questionar a governadora, afirmou que o Distrito Federal tem um dos maiores orçamentos da área no país e cobrou explicações sobre a aplicação dos recursos.
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