A guerra que os Estados Unidos travam contra o Irã desde fevereiro consumiu cerca de dois terços do estoque estadunidense de interceptadores antiaéreos Patriot e derrubou a “níveis extremamente baixos” as reservas de outros mísseis de precisão, segundo um levantamento do Center for Strategic and International Studies (CSIS), um centro de estudos de Washington.
O CSIS calcula que restam menos de 830 interceptadores Patriot nos estoques estadunidenses, ante um total pré-guerra estimado em cerca de 2.200 unidades das duas variantes mais modernas. As reservas do sistema THAAD, o interceptador de mísseis balísticos de maior altitude, teriam caído praticamente pela metade.
Para sustentar a campanha, o Pentágono deslocou às pressas navios, aeronaves e unidades de defesa aérea da Europa e da Ásia para o Oriente Médio. O impacto tende a ser maior na Ásia. O Comando Indo-Pacífico das forças dos EUA se tornou uma das principais fontes de munição para a guerra, cedendo mísseis Tomahawk e outras armas de longo alcance consideradas essenciais para um cenário de conflito com a China em torno de Taiwan. Segundo o CSIS, os navios enviados ao Oriente Médio voltarão ao Pacífico quando a operação terminar, mas repor os estoques levará anos.
O esvaziamento também respinga nos aliados. A queda no estoque global de Patriot deixa menos interceptadores para a Ucrânia: o presidente Volodimir Zelensky afirmou que os países aliados forneceram a Kiev, em 2026, cerca de um terço do volume entregue no mesmo período do ano anterior. Uma encomenda de 400 mísseis Tomahawk feita pelo Japão à Raytheon também não foi adiante.
Cada míssil Patriot custa milhões de dólares e pode levar de três a cinco anos para ser produzido. No ritmo atual, o Pentágono recebe cerca de 20 novos Patriot e 15 Tomahawk por mês, e não há nenhuma entrega de THAAD prevista para 2026. Para ampliar a produção, o Exército fechou nesta semana um contrato de até US$ 58,6 bilhões com a Lockheed Martin, válido até 2032.
O governo minimiza o problema. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, contestou no X reportagens que apontavam depleção de 80% dos interceptadores THAAD, classificando o número como “não verdadeiro” e escrevendo “que vergonha” aos autores. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que a Força estadunidense “é a mais poderosa do mundo e tem tudo de que precisa para executar no momento e no lugar escolhidos pelo presidente”.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel mataram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de outras autoridades e civis. Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão interrompeu os combates em larga escala em abril, mas a trégua desmoronou em julho, e nenhum acordo duradouro foi alcançado.
