O Irã declarou estar perto de fechar um acordo com Omã para definir novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz, mas também afirmou que só vai reabrir a passagem depois que os Estados Unidos cumprirem uma lista de exigências, entre elas a compensação financeira pelos danos causados ao país persa e a suspensão definitiva de ataques. Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está negociando discretamente com o Irã.
Contudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, negou que qualquer tipo de diálogo direto entre Washington e Teerã, e afirmou que isso só ocorrerá quando o país parar de violar o memorando de entendimento assinado em junho.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a jornalista Flávia Gianini, especialista em economia e política internacional, destacou que, a essa altura do conflito, após idas e vindas por parte dos EUA, o Irã tem consciência de que o que está em jogo não é simplesmente a negociação de uma rota comercial.
“O Irã está negociando o preço político da abertura de Ormuz. Ele vai sentar na mesa de negociação, exigindo alguma coisa em troca. A gente precisa entender que o pedido dos Estados Unidos, desde o início da campanha, era que eles negociassem e passassem a não ter mais o projeto de enriquecimento de urânio. A partir de agora, o Irã não vai mais aceitar esse tipo de debate”, explica.
Gianini também pondera como a proximidade das eleições nos dois países envolvidos no conflito com o Irã, Estados Unidos e Israel, acaba impactando no andamento de possíveis acordos, lembrando que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi o primeiro a descumprir a proposta de um cessar-fogo alinhavada por Trump, já que se nega a parar a expansão no Líbano. Já Trump, segundo a jornalista, tenta a todo custo sustentar para a opinião pública que ele venceu a guerra, quando, na verdade, está derrotado há muito tempo.
“Trump quer convencer de que teve uma vitória militar. Netanyahu precisa demonstrar que não está fazendo concessões. São coisas diferentes em termos políticos. A opinião pública israelense não concorda com a situação de Gaza, mas o principal obstáculo, que é a implementação do plano político, deixou de ser apenas o Hamas e passou também a ser um campo aliado dos Estados Unidos. A gente tem dois presidentes com duas eleições que vão acontecer em menos de três meses brigando por isso. A briga é boa e eles estão totalmente desarticulados em termos de política interna”, avalia.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
