O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) deixou, até o momento, mais de 110 mortos. Segundo o professor George Sand França, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), o tremor não tem “relação direta” com os abalos ocorridos na Venezuela, que devastaram parte do país e deixaram mais de 6 mil mortos. Apesar das magnitudes próximas — na Venezuela, foram registradas escalas 7,2 e 7,5 — fatores qualitativos também distanciam ambos os casos.
“Na Venezuela, foi um terremoto raso, num movimento muito transcorrente, paralelo ao movimento um a outro, de falhas e de movimento tectônico. Já esse que aconteceu na Colômbia, além de ser intermediário a 110 km de profundidade, é provocado pela placa que está mergulhando em direção ao centro e vai sofrer uma chamada subducção, e essa região acaba tendo o efeito. A Placa de Nazca, que é uma placa oceânica, está em conflito em direção a uma placa sul-americana, e isso faz com que esse terremoto seja mais profundo e que o efeito dele seja menor”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
França desmente que as mudanças climáticas estariam relacionadas aos terremotos. “Os terremotos acontecem há milhões de anos, mostrando que a Terra está dinâmica e está viva”, afirma.
O sismólogo lembra que a última vez que a Colômbia viveu um abalo sísmico foi na década de 1950 e, por isso, não tinham esse registro na memória e as cidades acabam não tendo o devido preparo. Ele reforça que terremotos não são previsíveis, mas que seus efeitos podem ser dirimidos, como ocorre justamente no Japão.
“Todo e qualquer país que está nesse limite de placas, que está sofrendo pressões, vai ter um grande terremoto. Um dia vai acontecer pelo tempo geológico. A gente tem certeza de que vai acontecer um terremoto. Vai demorar 100, 200, 300 anos, mas vai acontecer. Então, já que a gente sabe que vai acontecer algum dia, principalmente na região de limite de placa, é possível se preparar para ele. É assim que o Japão faz, assim como a costa oeste dos Estados Unidos, com regras rígidas para construção civil e treinamento para a população para saber como se comportar quando tiver uma ocorrência de terremoto”, destaca.
Para ouvir e assistir
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