A técnica de gravar cabaças é praticada na capital da província de Gansu há mais de 1.600 anos. As origens remontam ao período Wei-Jin (220-420 d.C.), quando artesãos de Lanzhou começaram a gravar padrões nas cabaças que chegavam pela Rota da Seda. Em 2006, a prática foi inscrita na primeira lista de patrimônio imaterial da província de Gansu. Hoje é considerada um dos três tesouros culturais da região, ao lado do macarrão de carne e das jangadas de pele de carneiro.
A gravura de cabaças de Lanzhou usa agulhas e estiletes de precisão para marcar traços em baixo relevo na casca seca do fruto. A artista Ruan Lin é a quarta geração de uma família que guarda essa arte desde 1936.
“O cultivo das cabaças remonta à Antiguidade”, explica Lin. “Os agricultores as plantavam em casa. Depois da colheita, guardavam as sementes, comiam a polpa, cortavam as maiores para usar como vasilhas d’água ou potes de grãos. Amarravam as menores à cintura para levar água ao campo. Desde os tempos mais remotos, já esculpiam decorações simples nas cabaças que carregavam. Esse artesanato foi transmitido de geração em geração e se tornou a arte que vemos hoje”.
Ruan Lin tem hoje o título de Mestra de Artes e Ofícios de Gansu e Herdeira Transmissora Provincial do patrimônio imaterial, concedido pelo Departamento de Cultura e Turismo de Gansu. O percurso até esse reconhecimento começou na infância.
“Comecei a praticar caligrafia e pintura aos quatro ou cinco anos”, conta ela. “Aos oito, experimentei pela primeira vez copiar padrões em cabaças com uma agulha. Depois que meu pai aprovou meu trabalho, comecei a criar de forma independente aos quinze anos. Levei uma década inteira para dominar todo o processo: da caligrafia e da pintura até a escultura em cabaça”.
Obras de mestres mais antigos da mesma linhagem familiar integram a coleção nacional. Ruan Wenhui, o primeiro artista de Gansu a receber o título nacional de Mestre de Artes e Ofícios da China, produziu conjuntos de micro-gravuras que incluem 204 poemas da dinastia Tang em cabaças, reconhecidos como tesouros nacionais.
No ateliê, Ruan Lin transita entre o clássico e o contemporâneo. “Os artesãos mais experientes esculpem principalmente motivos culturais tradicionais, contos antigos e histórias dos Quatro Grandes Romances Clássicos”, explica. “Os criadores mais jovens escolhem temas mais pessoais: paisagens, poemas das dinastias Tang e Song, tigres, padrões de afrescos de túmulos, animais do zodíaco e constelações. Sou a quarta geração de escultores em cabaça da minha família, seguindo meu avô e meu pai. Esculpimos tanto temas clássicos quanto modernos: as cabaças com padrões tradicionais são cobiçadas por colecionadores; as cabaças com temas modernos fazem sucesso entre os jovens como ornamentos de uso pessoal”.
Ruan Lin trabalha com Zheng Yinglan há mais de vinte anos; ambas são amigas desde a infância. Zheng fala sobre algumas condições para dominar a arte.
“Para aprender bem a escultura em cabaça, é preciso ter uma base sólida em pintura e caligrafia, paixão genuína pelo artesanato e perseverança”, diz ela. “Se você se mantiver dedicado e interessado, levará cerca de um ano até conseguir criar peças completas de forma independente. Em geral, são precisos de cinco a dez anos de prática contínua para atingir um alto padrão”.
A transmissão já avança para a quinta geração. Ruan Xiyue, filha de Ruan Lin, conduz seus próprios programas de formação no ateliê. Uma de suas aprendizes foi reconhecida como Mestra Municipal de Artes e Ofícios de Lanzhou. Crianças de escolas da capital também participam de cursos de iniciação.
“Esse artesanato tem uma história de centenas de anos, e queremos passá-lo de geração em geração”, diz Zheng. “Chamamos as cabaças esculpidas de ‘cabaças auspiciosas’. O caractere chinês para cabaça (葫芦, húlú) tem pronúncia similar à de ‘bênção e fortuna’ (福禄, fúlù), que simboliza boa sorte e prosperidade. Queremos manter essa arte viva para sempre”, conclui.
