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Símbolos de prosperidade: conheça a gravura em cabaças que existe há 1.600 anos de Lanzhou

Considerada patrimônio imaterial desde 2006, a técnica milenar ganha fôlego com programas de formação para jovens

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Detalhe de cabaça gravada antiga, no Salão de Exposições de Planejamento Urbano de Lanzhou.
Detalhe de cabaça gravada antiga, no Salão de Exposições de Planejamento Urbano de Lanzhou. 15 de julho de 2026 | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

A técnica de gravar cabaças é praticada na capital da província de Gansu há mais de 1.600 anos. As origens remontam ao período Wei-Jin (220-420 d.C.), quando artesãos de Lanzhou começaram a gravar padrões nas cabaças que chegavam pela Rota da Seda. Em 2006, a prática foi inscrita na primeira lista de patrimônio imaterial da província de Gansu. Hoje é considerada um dos três tesouros culturais da região, ao lado do macarrão de carne e das jangadas de pele de carneiro.

A gravura de cabaças de Lanzhou usa agulhas e estiletes de precisão para marcar traços em baixo relevo na casca seca do fruto. A artista Ruan Lin é a quarta geração de uma família que guarda essa arte desde 1936.

“O cultivo das cabaças remonta à Antiguidade”, explica Lin. “Os agricultores as plantavam em casa. Depois da colheita, guardavam as sementes, comiam a polpa, cortavam as maiores para usar como vasilhas d’água ou potes de grãos. Amarravam as menores à cintura para levar água ao campo. Desde os tempos mais remotos, já esculpiam decorações simples nas cabaças que carregavam. Esse artesanato foi transmitido de geração em geração e se tornou a arte que vemos hoje”.

Ruan Lin tem hoje o título de Mestra de Artes e Ofícios de Gansu e Herdeira Transmissora Provincial do patrimônio imaterial, concedido pelo Departamento de Cultura e Turismo de Gansu. O percurso até esse reconhecimento começou na infância.

“Comecei a praticar caligrafia e pintura aos quatro ou cinco anos”, conta ela. “Aos oito, experimentei pela primeira vez copiar padrões em cabaças com uma agulha. Depois que meu pai aprovou meu trabalho, comecei a criar de forma independente aos quinze anos. Levei uma década inteira para dominar todo o processo: da caligrafia e da pintura até a escultura em cabaça”.

Obras de mestres mais antigos da mesma linhagem familiar integram a coleção nacional. Ruan Wenhui, o primeiro artista de Gansu a receber o título nacional de Mestre de Artes e Ofícios da China, produziu conjuntos de micro-gravuras que incluem 204 poemas da dinastia Tang em cabaças, reconhecidos como tesouros nacionais.

No ateliê, Ruan Lin transita entre o clássico e o contemporâneo. “Os artesãos mais experientes esculpem principalmente motivos culturais tradicionais, contos antigos e histórias dos Quatro Grandes Romances Clássicos”, explica. “Os criadores mais jovens escolhem temas mais pessoais: paisagens, poemas das dinastias Tang e Song, tigres, padrões de afrescos de túmulos, animais do zodíaco e constelações. Sou a quarta geração de escultores em cabaça da minha família, seguindo meu avô e meu pai. Esculpimos tanto temas clássicos quanto modernos: as cabaças com padrões tradicionais são cobiçadas por colecionadores; as cabaças com temas modernos fazem sucesso entre os jovens como ornamentos de uso pessoal”.

Ruan Lin trabalha com Zheng Yinglan há mais de vinte anos; ambas são amigas desde a infância. Zheng fala sobre algumas condições para dominar a arte.

“Para aprender bem a escultura em cabaça, é preciso ter uma base sólida em pintura e caligrafia, paixão genuína pelo artesanato e perseverança”, diz ela. “Se você se mantiver dedicado e interessado, levará cerca de um ano até conseguir criar peças completas de forma independente. Em geral, são precisos de cinco a dez anos de prática contínua para atingir um alto padrão”.

A transmissão já avança para a quinta geração. Ruan Xiyue, filha de Ruan Lin, conduz seus próprios programas de formação no ateliê. Uma de suas aprendizes foi reconhecida como Mestra Municipal de Artes e Ofícios de Lanzhou. Crianças de escolas da capital também participam de cursos de iniciação.

“Esse artesanato tem uma história de centenas de anos, e queremos passá-lo de geração em geração”, diz Zheng. “Chamamos as cabaças esculpidas de ‘cabaças auspiciosas’. O caractere chinês para cabaça (葫芦, húlú) tem pronúncia similar à de ‘bênção e fortuna’ (福禄, fúlù), que simboliza boa sorte e prosperidade. Queremos manter essa arte viva para sempre”, conclui.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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