O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não será mais cancelado. Menos de um dia depois de o Governo do Distrito Federal (GDF) comunicar que não havia recursos para realizar a 59ª edição, a governadora Celina Leão (PP) confirmou, na noite desta segunda-feira (10), a realização do evento entre 11 e 19 de setembro. A mudança ocorreu após manifestações nas redes sociais contra a suspensão do Festival.
A decisão representa uma mudança em relação ao que havia sido informado pelo próprio governo horas antes. A organização do Festival havia sido comunicada de que a edição não seria realizada por falta de recursos, após semanas de incerteza sobre um repasse aguardado de R$ 3 milhões.
Em publicação, Celina afirmou que determinou à Secretaria de Economia que providencie os recursos necessários para a realização do Festival. A confirmação veio após manifestações públicas em defesa da edição.
O anúncio ocorreu três dias depois de Celina afirmar que a contenção de despesas do GDF havia atingido também a realização de eventos. Na ocasião, a governadora citou o cancelamento das comemorações do aniversário de Brasília e afirmou que os recursos deveriam ser concentrados em áreas consideradas essenciais.
Manifestações
O Fórum dos Festivais, que reúne organizações do setor, criticou a instabilidade no repasse de recursos e afirmou que a situação do Festival de Brasília expõe um problema mais amplo de falta de previsibilidade no financiamento da cultura.
“Cultura não pode viver de urgências. Festivais não podem depender de soluções de última hora. O Festival de Brasília é patrimônio do cinema brasileiro. Sua realização não pode depender de negociações emergenciais ou mobilizações de última hora”, criticou.
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) também se manifestou contra o cancelamento e destacou que a suspensão ocorreu quando a edição já estava em preparação, com profissionais envolvidos na organização e filmes selecionados para a programação.
“As inscrições foram abertas em março; filmes foram inscritos e selecionados; equipes trabalharam durante meses para a realização do Festival, com base em um planejamento estabelecido com a participação do próprio Governo do Distrito Federal”, afirmou em nota nas redes sociais.
A associação também defendeu a continuidade do Festival e afirmou que a interrupção não poderia ser tratada apenas como a suspensão de uma atividade do calendário cultural. “O Festival de Brasília é uma instituição do cinema brasileiro e uma política pública consolidada, cuja continuidade deve ser compreendida como responsabilidade do Estado”, destacou.
Despesas
Na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o deputado Fábio Félix (Psol-DF) afirmou que o GDF deixou de repassar cerca de R$ 3 milhões destinados à realização do Festival e apontou que o problema faz parte do cenário de dificuldades no financiamento da cultura no DF. “O governo Celina Leão deixou de repassar cerca de R$ 3 milhões para realizar o Festival. E não é um caso isolado: faltam pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e o Cine Brasília também sofre com a falta de recursos”, denunciou o parlamentar.
Gabriel Magno (PT-DF) também criticou a decisão e afirmou que o próprio mandato destinou emenda para a realização do Festival, mas que o recurso estaria bloqueado. “Cultura é direito, gera emprego, renda e movimenta a nossa cidade. Não dá para aceitar que o governo Celina/Ibaneis trate com tamanho abandono um patrimônio cultural de Brasília”, declarou.
A reviravolta ocorreu poucos dias depois de Celina afirmar que o governo precisava reduzir despesas. Na mesma declaração em que justificou os cortes, a governadora havia dito que o impasse relacionado ao Festival estava “sendo resolvido” e garantido apoio ao Cine Brasília.
Agora, o Festival está novamente confirmado, mas a publicação de Celina não informa qual será o valor liberado, de onde virão os recursos ou quando o repasse será efetivamente realizado. Também não foram detalhadas eventuais mudanças no planejamento da edição após o anúncio de cancelamento.
O outro lado
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) foi procurada pelo Brasil de Fato DF para esclarecer de que forma será feito o aporte determinado pela governadora, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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