Em Belo Horizonte, mais uma edição do Banquetaço será realizada neste sábado (15), como parte de um mobilização nacional em defesa do Direito Humano à Alimentação Adequada. Neste ano, o ato será realizado sob o Viaduto Santa Tereza, na região central da capital mineira, a partir das 15h, e terá como tema “O Quitandaço”, valorizando a cultura alimentar e a tradição das quitandeiras mineiras. A atividade reunirá movimentos populares, entidades, sindicatos, pesquisadores, agricultores, cozinheiras, estudantes e trabalhadores para denunciar o que classificam como um possível desmonte da política municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).
Segundo a organização, a mobilização busca chamar a atenção da população para a importância da manutenção das políticas públicas de combate à fome e fortalecer a participação popular na construção dessas ações. Em nota de divulgação do evento, os organizadores afirmam que “Belo Horizonte precisa continuar sendo uma referência na luta pelo direito à Alimentação e Nutrição Adequadas” e convidam organizações, movimentos sociais, sindicatos e coletivos a integrarem o ato.
Para os organizadores, o Banquetaço é uma resposta ao risco de retrocessos na política alimentar da capital. A mobilização, afirmam, “é como feijão na pressão”, sendo uma condição para denunciar possíveis perdas de direitos e reforçar a mensagem de que “nenhum direito a menos”. O movimento também destaca que o ato de compartilhar alimentos durante a atividade representa uma forma de denunciar medidas que possam enfraquecer a política de segurança alimentar no município.
16,8% da população de Belo Horizonte enfrenta algum grau de insegurança alimentar
Órgão alerta para retrocesso
A principal preocupação dos movimentos é a proposta de desmembramento da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), criada em 2025 durante a reforma administrativa da gestão de Fuad Noman. Conforme denúncia apresentada pelas entidades, a pasta poderá deixar de existir como secretaria autônoma, sendo transformada em subsecretarias subordinadas a outras áreas da administração municipal.
Em julho, o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comusan-BH) divulgou nota pública manifestando preocupação com a medida. Para o conselho, a mudança representa um retrocesso para Belo Horizonte, reconhecida internacionalmente por suas políticas de combate à fome e signatária do Pacto de Milão. O órgão argumenta que a segurança alimentar articula ações de saúde, assistência social, abastecimento, agricultura, meio ambiente e nutrição, não podendo ser tratada como política secundária.
O documento também destaca indicadores que evidenciam a gravidade do cenário alimentar na capital. Segundo o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Plamsan 2026-2029), 16,8% da população de Belo Horizonte enfrenta algum grau de insegurança alimentar. Entre as famílias inscritas no Cadastro Único, 14,7% apresentam risco de insegurança alimentar grave, conforme o indicador CadINSAN.
Na avaliação do Comusan, o rebaixamento da estrutura administrativa poderá comprometer a execução de programas como os Restaurantes Populares e o Banco de Alimentos, além de enfraquecer a capacidade de articulação da política pública. O conselho também afirma que a proposta foi apresentada sem diálogo com a sociedade civil e defende a instalação de uma mesa técnica envolvendo Prefeitura, Câmara Municipal, Ministério Público de Minas Gerais e representantes do próprio conselho.
As preocupações ganharam força após mudanças na condução da pasta. No início de julho, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) exonerou a então secretária municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Darklane Rodrigues Dias, servidora que atuava na área desde 2017 e comandava a secretaria desde sua criação, em 2025. Para responder interinamente pela pasta, foi designado o secretário municipal de Política Urbana, André Abreu Reis. Após a exoneração, também deixaram seus cargos o secretário-adjunto Bruno Dias Magalhães e o chefe de gabinete Élido Bonomo.
Criado em 2019, após a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o Banquetaço reúne, em diferentes cidades brasileiras, movimentos sociais, agricultores, pesquisadores e trabalhadores em defesa da alimentação como um direito humano. Em Belo Horizonte, a edição deste ano pretende reafirmar a importância da soberania alimentar, da participação popular e da preservação das políticas públicas historicamente construídas no município.
Serviço
Banquetaço 2026 – Um Quitandaço
Quando: 15 de agosto (sábado), às 15h
Onde: Sob o Viaduto Santa Tereza, região central de Belo Horizonte
Atividade: Mobilização em defesa da política de Segurança Alimentar e Nutricional, do direito humano à alimentação adequada e da soberania alimentar.
Outro lado
A reportagem procurou a Prefeitura para se manifestar em relação às indagações apresentadas e aguarda respostas. O conteúdo será atualizado quando houver posicionamento.
