PARCEIRO DE PESO

China pede para participar da disputa do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC

Pequim alega que tarifa de 37,5% aplicada pela Casa Branca a produtos brasileiros também prejudica exportações chinesas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Mark Route/White House

A China apresentou requerimento formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) para participar da consulta aberta pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. No documento, Pequim argumenta que a medida “afeta todas as exportações da China para os Estados Unidos, ressalvadas as isenções especificadas” e que prejudica “em particular, as condições de concorrência dos produtos originários da China vendidos no mercado dos Estados Unidos, em decorrência das tarifas adicionais impostas”.

A OMC ainda não confirmou se aceitará o pedido da administração chinesa, liderada pelo presidente Xi Jinping, nem definiu datas para as primeiras reuniões do processo.

O caso começou em 27 de julho, quando o Brasil acionou a OMC para contestar duas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump. Uma delas estabelece alíquota adicional de 25%, sob justificativa de que o Brasil adotaria práticas comerciais desleais em relação a empresas estadunidenses; a outra, de 12,5%, foi aplicada sob argumento de fiscalização insuficiente sobre produtos fabricados com trabalho forçado. Somadas, resultam em tarifaço de 37,5% sobre mais de 800 produtos brasileiros.

Na solicitação à OMC, o governo brasileiro classificou as tarifas como discriminatórias e unilaterais, e avalia que as medidas desrespeitam compromissos assumidos pelos próprios Estados Unidos no âmbito da organização. O governo Lula também alega serem falsas as premissas de “práticas comerciais desleais” apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para justificar a medida.

Embora não tenha apresentado essa argumentação formalmente à entidade, o governo brasileiro vem sustentando, em declarações do chanceler Mauro Vieira e em comunicados oficiais, que a decisão estadunidense tem motivação política e que argumentos técnicos apresentados durante as negociações com representantes do comércio dos EUA foram desconsiderados.

Consulta com os EUA

Na segunda-feira (10), os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro de consulta. “Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”, diz documento obtido pela GloboNews.

Diplomatas brasileiros veem o acionamento da OMC mais como forma de marcar posição do que como caminho concreto para reverter o tarifaço, já que uma eventual decisão da entidade dificilmente teria força para isso — mas também relacionam a iniciativa à tradição da política externa brasileira de defesa do multilateralismo e da resolução de conflitos por meio de instituições internacionais.

Editado por: Rafaella Coury

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