Periferia é o centro

Com Djonga e Duquesa, Sesc + Rap celebra a força do hip-hop em Ceilândia (DF) no mês de agosto

Programação gratuita reúne artistas de projeção nacional e nomes ligados à produção cultural do DF

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Festival Sesc + Rap espera reunir 15 mil pessoas em Ceilândia
Festival Sesc + Rap espera reunir 15 mil pessoas em Ceilândia | Crédito: Divulgação Sesc-DF

Djonga, Duquesa, Ndee Naldinho e Viela 17 estão entre as atrações da quarta edição do Festival Sesc + Rap, que será realizada no dia 29 de agosto, no estacionamento do Sesc Ceilândia. Com entrada gratuita, o evento reúne diferentes gerações do rap nacional e brasiliense e retorna a um território historicamente marcado pela presença do hip-hop no Distrito Federal.

Além dos shows, a programação pretende percorrer diferentes expressões da cultura urbana. Estão previstas oficinas de grafite, apresentações de break dance, rodas de conversa e atividades relacionadas à literatura marginal e à rima, além da oferta de serviços gratuitos, como tranças e maquiagem. A proposta, segundo a organização, é apresentar o hip-hop para além da música e reunir diferentes linguagens, profissionais e públicos que fazem parte dessa cultura.

Em entrevista ao Brasil de Fato DF, o gerente de Cultura do Sesc-DF, Diego Marx, avalia que a chegada do festival à quarta edição ocorre em meio ao fortalecimento das manifestações ligadas ao movimento no Distrito Federal.

“O Sesc + Rap chega à sua quarta edição consolidado como uma importante iniciativa de valorização da cultura hip-hop no Distrito Federal. O crescimento da cena mostra a força e a relevância que o rap, o breaking, o graffiti e as demais manifestações da cultura urbana têm conquistado, especialmente entre os jovens”, afirma.

Para Marx, a continuidade do projeto também representa a abertura de espaços para quem produz e acompanha essas manifestações. “Realizar mais uma edição do festival significa reconhecer essa potência e ampliar os espaços para que artistas, produtores e público possam se encontrar”, explica.

O gerente destaca ainda o papel do acesso gratuito à programação. “É também uma forma de democratizar o acesso à cultura e contribuir para que o hip-hop continue ocupando os espaços públicos e fortalecendo sua presença na agenda cultural do DF.”

Ceilândia e a história do hip-hop no DF

A realização do festival em Ceilândia também dialoga com a trajetória da cultura hip-hop na região. A cidade se tornou espaço de atuação de artistas, grupos, coletivos e movimentos ligados ao rap e a outras manifestações urbanas.

É justamente essa relação que, segundo Marx, está por trás da permanência do evento no território. “Ceilândia tem uma relação histórica e muito forte com o hip-hop. A cultura urbana faz parte da identidade da região e foi construída, ao longo de décadas, por artistas, coletivos e movimentos que encontraram no rap uma ferramenta de expressão, identidade e transformação social”, afirma.

Nesse sentido, realizar um festival dedicado ao gênero na região também funciona como reconhecimento da produção artística desenvolvida nas periferias do Distrito Federal. “O festival ocupa um território que já é referência para a cultura hip-hop e aproxima o público da produção artística que nasce e se desenvolve nas periferias do Distrito Federal”, acrescenta.

A própria programação busca estabelecer uma ponte entre artistas de projeção nacional e nomes ligados à história e à produção cultural do DF. Neste ano, Djonga, Duquesa e Ndee Naldinho dividem a programação com o Viela 17, grupo com trajetória ligada ao rap brasiliense, além de DJs e outros artistas locais.

Festival chega à quarta edição com público em crescimento

A quarta edição também ocorre após um crescimento de público registrado pelo festival nos últimos anos. Em 2024, cerca de 10 mil pessoas participaram do Sesc + Rap, edição que contou com Tribo da Periferia e Froid e realizou uma homenagem ao DJ Jamaika. No ano seguinte, com Hungria como principal atração, o público chegou a aproximadamente 15 mil pessoas.

Para 2026, a expectativa do Sesc-DF é novamente receber 15 mil pessoas, capacidade máxima prevista para o espaço onde será realizado o evento.

“O Sesc + Rap cria um espaço para diferentes manifestações culturais, dá visibilidade aos artistas e profissionais da cena e promove atividades que aproximam a comunidade da cultura urbana. A cada edição, buscamos ampliar esse alcance e fortalecer ainda mais essa conexão com o público”, afirma Marx.

A diversidade de atividades previstas também amplia o número de profissionais envolvidos no festival. Reunir música, dança, artes visuais, literatura e outras linguagens é uma maneira de fortalecer a cadeia produtiva ligada à cultura urbana e dar visibilidade a quem trabalha nesses segmentos.

Diferentes gerações no mesmo palco

A programação da quarta edição reúne artistas de diferentes momentos e vertentes do rap brasileiro. Entre os destaques está o mineiro Djonga, trazendo letras atravessadas por questões raciais, sociais e pela experiência periférica.

Duquesa representa uma geração mais recente do hip-hop nacional. Nascida e criada em Feira de Santana, na Bahia, a rapper e compositora iniciou a trajetória musical ainda adolescente e passou a transitar entre referências do rap, trap e R&B.

O encontro entre gerações fica ainda mais evidente com a presença de Ndee Naldinho. Nascido em São Paulo e criado na Brasilândia, na capital paulista, o rapper iniciou a carreira no final dos anos 1980 e acompanhou os primeiros anos de formação da cena hip-hop da cidade.

O Distrito Federal, por sua vez, estará representado entre as principais atrações pelo Viela 17. O grupo surgiu em 2000 nas ruas de Ceilândia, território que agora volta a receber o festival, e construiu uma trajetória de mais de duas décadas no rap brasiliense. A presença do grupo reforça a ligação entre o line-up e a própria história da cultura hip-hop na região.

Segundo Marx, a definição do line-up passa por uma curadoria que considera a relevância artística, a diversidade de estilos e gerações e a capacidade dos nomes escolhidos de representar diferentes dimensões da cultura hip-hop.

“Queremos proporcionar ao público o contato com grandes nomes nacionais, mas também valorizar os artistas que estão aqui, fortalecendo a produção local e criando um encontro entre diferentes gerações, estilos e trajetórias do hip-hop”, explica.

Cultura gratuita e solidariedade

Outro eixo da edição é a gratuidade. Para o Sesc-DF, eliminar o custo do ingresso permite que públicos de diferentes regiões e condições econômicas tenham acesso tanto aos artistas nacionais quanto aos nomes da cena brasiliense.

A proposta é possibilitar uma experiência que poderia não estar ao alcance de parte do público em eventos pagos. “É justamente esse o papel que queremos cumprir: levar cultura para mais pessoas e permitir que elas tenham contato com artistas, linguagens e manifestações culturais diversas”, acrescenta Marx.

Serviço

Festival Sesc + Rap 2026

Data: 29 de agosto

Local: estacionamento do Sesc Ceilândia

Para a retirada de cada ingresso, é solicitada a doação de 1 kg de alimento não perecível, destinado ao programa Sesc Mesa Brasil.


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Editado por: Clivia Mesquita

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