O ex-presidente sírio, Bashar al-Assad, foi condenado à morte à revelia em seu país por “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade” cometidos durante a guerra civil na Síria durante seu governo. Este é o primeiro veredicto contra Assad desde sua deposição. A informação foi confirmada pela agência estatal síria Sana.
O ex-presidente está atualmente em Moscou, na Rússia, onde ganhou asilo político do presidente Vladimir Putin após sua deposição em dezembro de 2024.
A decisão do tribunal criminal sírio também condenou à morte o primo de Assad, Atef Najib. Sob o governo do ex-presidente, ele chefiou a diretoria de segurança política na província de Daraa, no sul do país. Najib foi detido na Síria em janeiro de 2025.
Bashar al-Assad governou a Síria de 2000 a dezembro de 2024. O regime da dinastia Assad chegou ao fim após forças antigovernamentais tomarem Damasco durante uma ofensiva em dezembro de 2024 e anunciarem a derrubada do regime. Desde então, Assad vive com sua família sob asilo político na Rússia.
Em outubro de 2025, a mídia noticiou que o novo líder da Síria, Ahmed al-Sharaa, exigia que Moscou extraditasse Assad.
No final do ano passado, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que Assad e sua família estavam na Rússia exclusivamente “por razões humanitárias” e que não tinham “problemas” para viver na capital. No início de 2026, o chanceler afirmou que a extradição do ex-presidente da Rússia para a Síria não era discutida há muito tempo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também havia negado que a extradição de Assad tenha sido discutida durante as conversas entre o presidente russo Vladimir Putin e o líder sírio Ahmed al-Sharaa, em Moscou, em 28 de janeiro.
Ao comentar as possíveis consequências da condenação de Bashar al-Assad, o vice-presidente do Comitê de Relações Exteriores da Duma Estatal (câmara baixa do parlamento russo), Alexei Chepa, afirmou que a sentença do ex-presidente sírio representa uma ameaça particularmente para seu primo, Atef Najib.
De acordo com o membro do parlamento russo, citado pelo portal Lenta.ru, Bashar al-Assad está “completamente seguro”.
“É claro que isso representa uma ameaça, especialmente para seu primo. Mas tenho absoluta certeza de que ele [Bashar al-Assad] está completamente seguro. Apesar da terrível sentença, ele não corre nenhum perigo”, disse.
Bases militares russa na Síria
A decisão sobre a sentença de Bashar al-Assad surge no contexto de um recente entendimento entre Moscou e Damasco sobre o futuro das bases militares russas no país árabe. No último domingo (9), a Rússia e a Síria assinaram um memorando de entendimento dedicado à reorganização e legitimação da presença militar russa no país.
De acordo com este documento, as bases militares russas estabelecidas durante o regime de Bashar al-Assad estão sendo redesignadas como centros de treinamento conjunto.
A Rússia mantém duas importantes instalações militares na Síria: a base naval de Tartus, estabelecida durante a Guerra Fria, e a base aérea de Hmeimim, criada em 2015 para apoiar Bashar al-Assad durante a guerra civil. A presença militar consolidou a influência de Moscou no Oriente Médio e garantiu um ponto estratégico de acesso ao Mediterrâneo.
Com a queda de Bashar al-Assad, a manutenção dessas bases tornou-se um dos pontos mais importantes na estratégia do Kremlin no redesenho das relações com Damasco sob novo governo.
