Centenário

Dilma sobre Fidel: ‘um símbolo vivo da luta pela justiça social, pela liberdade e pela soberania’

Ex-presidenta brasileira recordou a trajetória de Fidel e destacou a solidariedade cubana e o programa Mais Médicos

No audio source provided.
Dilma
Ex-presidenta Dilma Rousseff preside atualmente o Novo Banco do Desenvolvimento, com sede em Xangai, China | Crédito: Daniel Ramalho/AFP

A ex-presidenta do Brasil e atual presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (chamado de Banco dos Brics), Dilma Rousseff, enviou uma saudação ao 1º Colóquio Internacional “Fidel Castro Ruz: pensamento e obra”, realizado em Havana, no qual reivindicou a atualidade do legado do líder da Revolução Cubana e sua influência sobre a geração de latino-americanos que enfrentou as ditaduras militares da região.

“Falo não apenas como ex-presidenta do Brasil, mas como uma militante que, em sua juventude, foi profundamente marcada pelo exemplo de coragem e rebeldia que surgiu em Cuba em 1959”, iniciou a ex-presidenta brasileira em sua mensagem.

Rousseff afirmou que a Revolução Cubana representou, para sua geração, uma referência de esperança e possibilidade de transformação. E destacou que Fidel foi, para os latino-americanos de sua época, “um símbolo vivo da luta pela justiça social, pela liberdade e pela soberania”.

Em uma lembrança emocionada, a ex-presidenta recordou um dos encontros que teve com Fidel, em sua residência em Havana, durante a inauguração do porto de Mariel, quando o líder cubano já havia se retirado da vida pública. Ela contou que os dois permaneceram por cerca de duas horas conversando e destacou a lucidez, a memória e a paixão com que Fidel conduzia a conversa. “Naquele dia, vi o homem por trás do mito. E isso apenas aumentou minha admiração por ele.”

Ao abordar a relação entre Fidel e o Brasil, Rousseff afirmou que “a relação de Fidel com o Brasil não se limitou ao campo das ideias; teve uma concretude que transformou a vida de milhões de brasileiros e brasileiras”. Ela lembrou que, durante seu governo, o apoio de Cuba e do líder cubano foi decisivo para a implementação do programa Mais Médicos, que classificou como uma das principais iniciativas de sua gestão. A experiência, afirmou, “mostrou de maneira concreta o alcance da solidariedade cubana e do internacionalismo defendido por Fidel”.

“Mais de 11 mil médicos cubanos chegaram ao Brasil para atender onde nenhum outro profissional queria ir: nas periferias das maiores cidades, no semiárido, na Amazônia e nas aldeias indígenas. Em cinco anos, esses médicos, a quem Fidel chamava carinhosamente de seu exército de batas brancas, salvaram vidas, devolveram esperança e dignidade a populações inteiras. As comunidades onde atuaram os acolheram como heróis”, contou a ex-presidenta do Brasil.

A partir dessa experiência, Rousseff relacionou o legado de Fidel a uma concepção das relações internacionais baseada na cooperação e na solidariedade entre os povos. “Com Cuba e com o comandante Fidel Castro, aprendi que a verdadeira política externa não se faz apenas com discursos, mas com atos concretos de solidariedade.”

Nessa mesma linha, destacou o papel de Fidel na articulação das lutas dos povos do Sul Global e na projeção internacional de Cuba. Roussef lembrou que, sob a liderança de Fidel, a ilha participou da luta contra o apartheid na África e desenvolveu uma ampla política de cooperação médica e educacional. Para ela, esse internacionalismo se expressou em ações concretas e foi marcado pelo compromisso com outros povos.

“Quem pode esquecer sua intervenção na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992? Com a lucidez que o caracterizava, Fidel já alertava o mundo sobre os perigos das mudanças climáticas e do consumismo desenfreado, defendendo uma ordem internacional que colocasse a vida e a natureza no centro. E não o lucro. Era um visionário”, afirmou.

A mensagem de Rousseff faz parte de uma série de vídeos divulgados pela Chancelaria de Cuba no marco do colóquio, nos quais dirigentes internacionais recordam a trajetória e o legado de Fidel Castro. Entre eles estão o ex-primeiro-ministro da Jamaica, James Patterson, o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, o ex-primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, e o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper.

Ao final de sua mensagem, Rousseff ainda reafirmou seu compromisso com os princípios que, segundo destacou, fazem parte da herança política de Fidel: a justiça social, a soberania dos povos, a integração latino-americana e a solidariedade como base das relações internacionais.

“Fidel Castro partiu fisicamente, mas sua herança política, sua coragem e seu exemplo seguem mais vivos do que nunca. Reafirmamos nosso compromisso com os ideais que defendeu: justiça social, soberania dos povos, integração latino-americana e solidariedade como princípio fundamental das relações internacionais”, concluiu Dilma Rousseff.

Editado por: Rodrigo Gomes

|

Newsletter