Eleições 2026

Em meio a crise do bolsonarismo no RJ, Flávio testa força em primeiro comício de campanha em Copacabana

Sem alianças com outras siglas, candidato aposta na mobilização da base bolsonarista e terá de administrar divergências

No audio source provided.
(FILES) Brazil's senator Flavio Bolsonaro, son of Brazil's former president (2019-2022) Jair Bolsonaro, on trial for his alleged role in an attempted coup, delivers a speech in a demonstration during Independence Day, at Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil on September 7, 2025. Even Flavio Bolsonaro didn't seem to take his presidential candidacy very seriously when his father, Brazil's former president Jair Bolsonaro, tapped him as his political heir from behind bars. However the bespectacled 44-year-old senator, who is pitching himself as a more moderate member of the far-right dynasty, surprised many with a surge in opinion polls ahead of the October 2026 elections. (Photo by Pablo PORCIUNCULA / AFP)
Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio foi escolhido pelo pai no fim de 2025 para ser o pré-candidato da extrema direita à presidência | Crédito: Pablo Porciuncula / AFP

Na manhã deste domingo (16), o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) realiza o primeiro comício oficial de sua candidatura na orla da praia de Copacabana. Após anunciar uma formação de chapa presidencial às pressas, diante da dificuldade de fazer alianças com outros partidos, o candidato de extrema direita tentará mostrar que sua candidatura possui força para avançar. Para o cientista político Theófilo Rodrigues, esse é o momento de observar mais a composição das forças políticas e menos o tamanho do ato.

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

“Será importante observar quem são as lideranças políticas que estarão no palco de Flávio Bolsonaro no domingo e qual será a capacidade do candidato de reunir diferentes setores da direita em torno de sua candidatura”, disse ao Brasil de Fato.

Nos últimos meses, uma das desavenças que mais prejudicaram sua candidatura foi o vídeo publicado por sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em que anuncia a renúncia da presidência do PL Mulher. Na gravação de 15 minutos, Michelle acusa Flávio de grosserias, desrespeito, além de afastá-la de decisões políticas. A repercussão foi imediata e, na sequência, vieram pedidos públicos de desculpas e mensagens de reconciliação. Nome expressivo entre eleitores evangélicos, a presença da ex-primeira-dama na campanha do enteado tem peso significativo. A capacidade do presidenciável de manter esse vínculo poderá ser observada no próximo domingo.

Outra aliança que estará no foco é a articulação no Rio de Janeiro, tradicional reduto do PL. O candidato pelo partido e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, tem se apresentado nos primeiros movimentos de campanha e no primeiro debate como representante de uma mudança e distante de alianças políticas.

Ainda pesa sobre a candidatura de Flávio as revelações de financiamento de R$ 61 milhões para o filme Dark Horse pagos pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Uma relação inicialmente negada pelo político, mas que diante das investigações realizadas pelo The Intercept, foi forçado a voltar atrás.

“Do ponto de vista partidário, Flávio Bolsonaro está completamente isolado. Ele não conseguiu trazer para sua candidatura nenhum outro partido para além do seu PL. Sua chapa será puro-sangue, com um vice que também é do PL, o desconhecido deputado Alfredo Gaspar. Sem a intermediação de partidos, Flávio Bolsonaro precisará apostar num diálogo direto com a sua base eleitoral. Isso talvez o leve para uma radicalização maior do discurso”, acrescenta Rodrigues.

Bolsonarismo no RJ

O bolsonarismo chegou ao estado do Rio de Janeiro em 2018, no mesmo ano da eleição de Jair Bolsonaro. Na ocasião, o desconhecido juiz Wilson Witzel, que iniciou com 2% nas campanhas, alcançou a maioria dos votos e foi eleito ao lado de Cláudio Castro, ex-assessor parlamentar, vereador de primeiro mandato na capital e membro ativo da Renovação Carismática Católica.

Em 2021, Witzel sofre impeachment por fraudes em contratos de saúde para tratamento da covid-19 e Castro assume. Para conquistar a reeleição, a chapa de Cláudio Castro comete abuso de poder político e econômico, motivo de sua cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026. Durante o segundo mandato, Castro avança sobre a máquina pública e uma série de operações de Polícia Federal envolvem seu nome, como investimentos do Rioprevidência no Banco Master e benefícios fiscais a Ricardo Magro, dono do Grupo Fit e maior devedor da Receita Federal.

Apontado como sucessor do bolsonarismo no Rio de Janeiro, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) foi preso por vazar uma operação da Polícia Federal para um deputado da Casa e articulador financeiro do grupo armado Comando Vermelho, TH Jóias. Bacellar também aparece envolvido nas investigações mais recentes contra o contraventor Adilsinho.

Em 24 de março, Castro se afasta do governo para concorrer ao Senado. Uma decisão formalizada um dia antes de sua condenação pelo TSE e que o levou posteriormente a desistir do pleito. Sem o vice, Thiago Pampolha, que passou a ocupar uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o caminho estaria aberto para Bacellar ocupar o cargo de governador, caso não tivesse sido preso em dezembro de 2025. Próximo na linha sucessória, o cargo foi ocupado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto. Importante fato político que deixou o bolsonarismo sem a máquina pública estadual.

Editado por: Juliana Passos

|

Newsletter