O documentário “Honestino“, que conta a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido na ditadura militar, vai ocupar as telas do Distrito Federal nesta quinta-feira (13). Dirigido pelo diretor Aurélio Michiles, o filme propõe uma reflexão sobre memória, justiça e o legado de um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado no Brasil.
Honestino, que cursava Geologia na Universidade de Brasília (UnB), foi perseguido, preso e morto durante os “anos de chumbo” da Ditadura Militar no Brasil e tornou-se um dos mais importantes símbolos do combate ao regime.
Misturando documentário e ficção, o longa reconstitui a trajetória do jovem por meio de cartas, poemas e depoimentos de companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. A narrativa também ganha uma dimensão contemporânea com a participação do ator Bruno Gagliasso, que interpreta o estudante. O filme ainda revisita documentos históricos e reúne diferentes vozes para expor aspectos da vida pessoal de Honestino, revelando seus afetos, sonhos e convicções.
Amigo de Honestino na juventude, Michiles acompanha desde 1968 a memória do líder estudantil. Segundo eles, a inspiração para o projeto surgiu após assistir a um vídeo do neto de Honestino, Lucas Lopes, durante a reinauguração da ponte que leva o nome do avô, em Brasília. “Nosso propósito é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo. O ontem é hoje e o hoje pode ser o futuro”, define Michiles.
A estreia chega num momento em que o cinema brasileiro volta a revisitar os anos de ditadura, como visto recentemente em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles e “Agente Secreto”, de Kleber Mendonça. Para Michiles, essas obras cumprem um papel essencial.
“Tomara que a história do Honestino possa provocar essa mesma emoção, injetando novamente autoestima, um novo acreditar, a esperança de que existe ainda um Brasil possível”, afirma.
Quem foi Honestino?
O jovem desaparecido pela ditadura nasceu em 28 de março de 1947, em Itaberaí (GO). Em 1965, Honestino Guimarães foi aprovado em primeiro lugar no vestibular para Geologia da UnB.
Em 1968 foi eleito presidente da Federação dos Estudantes da UnB – ano que foi preso a partir da invasão militar na Universidade e depois expulso da academia. Entre 1968 e 1973, Honestino viveu na clandestinidade, sendo sequestrado, aos 26 anos e não mais sendo mais visto. A confirmação pública só ocorreu em 1996, mas o corpo nunca foi encontrado.
Em julho de 2024, a UnB entregou o diploma póstumo à familiares do estudante.
Onde assistir ao filme em Brasília
No Cine Cultura Liberty Mall, no Setor Comercial Norte, o longa será exibido todos os dias a partir desta quinta (13) até a próxima quarta (19). Sessões ocorrerão às 14h20, 16h20, 18h30 e 20h20. Ingressos podem ser adquiridos com preço entre R$ 36,48 (inteira) e R$ 20,48 (meia).
Já no Cinesystem Brasília, no Shopping Casa Park, o filme será reproduzido às 13h30 e às 19h30 em sessões que também ocorrerão nesta quinta (13). Preços variam entre R$ 63,83 (inteira) e R$ 35,83 (meia).
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