O Irã disparou mísseis e drones contra posições de grupos curdos de oposição no norte do Iraque nesta quarta-feira (12). Os ataques atingiram o Vale de Alana, a cerca de 90 quilômetros da província de Erbil. Os alvos foram os grupos Komala e o Partido Democrático do Curdistão do Irã, mas não há vítimas.
Um dia antes, mísseis iranianos atingiram a mesma região e feriram ao menos dois combatentes do Komala e da Peshmerga. Enquanto isso, quatro drones caíram nos distritos de Soran, Khalifa e Harir. Segundo o porta-voz do Komala, Amjad Panahi, as forças iranianas dispararam mais de 100 mísseis e drones contra os acampamentos do grupo desde o início da guerra de larga escala no Oriente Médio, em fevereiro.
Enquanto isso, Teerã e Washington parecem longe de um acordo. O presidente estadunidense, Donald Trump, vem sustentando que a situação com o Irã estaria “indo bem” e que as forças dos Estados Unidos estariam mantendo o “controle total” do Estreito de Ormuz, o que é contrariado pelo Irã.
Pouco antes da fala de Trump, o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, reiterou que Ormuz “não será aberto” até que os Estados Unidos “mudem o seu comportamento e aceitem as condições” iranianas, de acordo com informações da agência Tasnim. O republicano, por outro lado, disse que não confia no Irã. “Sou a última pessoa a confiar no Irã. Eles mentiram para mim o tempo todo”, argumentou o mandatário.
Teerã tem exigido a retirada das sanções ocidentais contra ativos iranianos, bem como a reparação pelos danos causados na guerra e a proibição de navios de guerra estadunidenses e israelenses em Ormuz.
Mesmo com o cenário nebuloso, os países do Golfo Pérsico poderiam aceitar um acordo que prevê o controle iraniano sobre o tráfego marítimo, segundo informações reveladas pelo jornal The Wall Street Journal no início da semana. De acordo com a publicação, a saída seria a mais viável diante do risco real de que a escalada bélica entre EUA e Irã possa colocar em risco a infraestrutura energética das nações árabes.
No campo da diplomacia, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, se reuniu com o ministro do Interior do Paquistão, Moshsin Navqi, na última terça-feira (11), em mais uma tentativa de mediar o fim da guerra promovida por EUA e Israel. Diplomatas que participaram do encontro relataram à agência IRNA que as conversas trataram dos laços bilaterais, mas não deram muitos detalhes.
Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também teve um encontro com Navqi, e elogiou os esforços de Islamabad para impulsionar a “estabilidade e a segurança” da região.
