Tensões

Putin denuncia infiltração da Otan no Pacífico e diz que retaliará UE por apreender navios russos

Presidente russo classificou medidas do bloco europeu contra a 'frota paralela' como pirataria e roubo

No audio source provided.
Presidente russo, Vladimir Putin, participa do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, em 5 de junho de 2026
Presidente russo, Vladimir Putin, participa do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, em 5 de junho de 2026. | Crédito: Kremlin.ru

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (12) que Moscou responderá na mesma moeda à apreensão de navios russos por países da União Europeia (UE). Ele também alertou para o crescente potencial de conflito na região da Ásia-Pacífico devido à infiltração da Otan.

“Gostaria de chamar a atenção para as recentes decisões da UE. Observamos que as autoridades de alguns países, em violação ao direito marítimo internacional, estão tentando restringir a movimentação de embarcações pertencentes aos nossos operadores econômicos, que, enfatizo, são pacíficos. E, recentemente, chegaram a cogitar a ideia de apreender nossos navios e vender os bens que nos foram roubados”, declarou Putin.

As declarações de Putin aconteceram durante uma visita a exercícios da Frota do Pacífico na região de Yuzhno-Sakhalinsk. A Frota do Pacífico é uma das principais forças navais da Rússia e atua na proteção das fronteiras e dos interesses russos no Extremo Oriente. Os exercícios são treinamentos militares realizados para testar a capacidade das Forças Armadas e manter tropas, navios e aeronaves preparados para situações de combate.

O líder russo descreveu as ações dos países europeus em relação à chamada “frota paralela” russa como “pirataria e roubo”. Acrescentou que, se isso “começar a ser implementado na prática, seremos forçados a responder na mesma moeda”.

Vladimir Putin destacou que isso não será feito necessariamente nas águas onde os navios russos forem apreendidos, “mas onde quer que consideremos necessário e apropriado, em qualquer lugar, inclusive dentro da área de responsabilidade da Frota do Pacífico”. Putin afirmou que o Ministério da Defesa já recebeu a ordem correspondente.

O comandante da Frota do Pacífico da Rússia, Viktor Liina, por sua vez, disse ao presidente que suas tropas possuem todas as forças necessárias para inspecionar e deter navios mercantes pertencentes a países hostis em sua área de responsabilidade.

As declarações do presidente russo acontecem no contexto da 21ª rodada de sanções contra a Rússia, aprovada recentemente. No novo pacote de restrições, a UE autoriza os países do bloco a vender petróleo e derivados russos apreendidos de navios-tanque pertencentes à chamada “frota paralela” da Rússia. Novas regulamentações também permitem que grãos apreendidos de navios sejam colocados à venda.

O termo “frota paralela” ou “frota fantasma” é usado para designar redes de navios que, segundo governos ocidentais, são utilizadas para transportar petróleo e outros produtos russos, contornando sanções e restrições internacionais, muitas vezes com estruturas de propriedade e bandeiras de diferentes países.

No final de julho, Vladimir Putin já havia descrito a apreensão de navios russos como “pirataria”. Na ocasião, ele pediu aos comandantes das Frotas do Pacífico e do Norte que “agissem com cautela” dentro da estrutura do direito marítimo internacional, “mas com a firmeza necessária para combater a pirataria e os piratas”.

Ameaças da Otan

Ao comentar sobre o que chamou de “crescentes ameaças da Otan na região do Pacífico”, o presidente russo afirmou que a aliança militar ocidental está aumentando a presença de blocos militares na região.

“Vemos que, infelizmente, o potencial de conflito está crescendo aqui. A Otan está se infiltrando, novos blocos político-militares estão sendo criados, novos sistemas de armas estão sendo implantados ou planejados para serem implantados aqui, o que representa ameaças ao nosso país”, disse o presidente.

Nesse contexto, o presidente enfatizou a importância dos exercícios da Frota do Pacífico para manter a prontidão para o combate e aprimorar o componente militar na região, levando em consideração a experiência das operações militares especiais.

Os exercícios da Frota do Pacífico para proteger as fronteiras do Extremo Oriente começaram em 4 de agosto. Eles envolvem aproximadamente 60 navios de guerra e de apoio, cerca de 30 aeronaves e helicópteros, veículos aéreos não tripulados e mais de 13.000 militares.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter