Pela democracia

Cientista político vê caso de filiação como piada: ‘É importante que Flávio Bolsonaro seja derrotado nas urnas’

Paulo Niccoli Ramirez afirma que essa suposta brincadeira é o menor dos problemas da candidatura descreditada do senador

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Flávio
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República | Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Mais uma trapalhada marca a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e movimenta o cenário eleitoral nesta quinta-feira (13). O candidato apareceu filiado ao partido Missão, na reta final do período de registros junto à Justiça Eleitoral, impedindo o cadastro dele pelo PL. O Missão afirma que teria avisado o ocorrido ao PL dez dias atrás. O partido de Flávio, por outro lado, atribui a situação a um ataque hacker.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, já restabeleceu o registro de Flávio no PL e liberou a candidatura, e, portanto, tudo está certo para a participação do senador na disputa eleitoral deste ano.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Paulo Niccoli Ramirez avalia que, apesar de todos os percalços na campanha do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua eventual ausência na disputa seria a “decretação da morte, com atestado de óbito” do bolsonarismo. “A situação toda tem toda cara de ter sido uma piada, talvez de um jovem ou adolescente, que, inclusive, deve ter invadido o e-mail institucional dele. Em que pese o fato de Nunes Marques ser um bolsonarista, me parece justo restabelecer Flávio no PL”, afirma.

Além disso, Ramirez aponta que, caso a candidatura tivesse algum tipo de obstáculo por conta da suposta brincadeira, prejudicaria muito o processo eleitoral. “É importante que a gente tenha a participação do Flávio para que ele seja derrotado nas urnas, para que não gere contestações como ele vem tentando fazer em relação ao processo eleitoral”, defende. “Faz parte da democracia que ele participe. Mas é necessário que ele seja derrotado nas urnas para apagar de vez esse fantasma do bolsonarismo”, avalia.

O cientista político não aposta em teorias que indicam que o senador teria articulado esse episódio do Missão, para se colocar como “vítima do sistema”. Até porque, reforça Ramirez, esse é o menor dos problemas da candidatura. “Do ponto de vista da democracia e das pesquisas, o próprio eleitorado já tem descartado o Flávio. O estrago já está feito. O problema não é esse do Missão. O problema é o tarifaço, a anistia dos golpistas, o caso Master e o envolvimento com o Vorcaro”, resume.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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