CULTURA POPULAR

Espetáculo ‘Caminhos’ leva teatro e circo a comunidades rurais do Sertão do Pajeú (PE) a partir desta quinta-feira (13)

Protagonizado pelo palhaço Sequinho, espetáculo alia circo, palhaçaria, poesia e cultura popular, circulando desde 2021

No audio source provided.
Espetáculo passa por Flores, Serra Talhada, Triunfo, Afogados da Ingazeira, Ingazeira, Carnaíba, Tabira e São José do Egito
Espetáculo passa por Flores, Serra Talhada, Triunfo, Afogados da Ingazeira, Ingazeira, Carnaíba, Tabira e São José do Egito | Crédito: Thalita Rodrigues/Divulgação

A partir desta quinta-feira (13), comunidades rurais de oito municípios do Sertão do Pajeú recebem apresentações gratuitas do espetáculo de rua “Caminhos”. A circulação começa às 19 horas, no Quilombo Cavalhada, em Flores, e segue até o dia 22 de agosto, passando também por Serra Talhada, Triunfo, Afogados da Ingazeira, Ingazeira, Carnaíba, Tabira e São José do Egito. 

Protagonizada pelo Palhaço Sequinho, personagem de Pedro Milhomens, a montagem combina palhaçaria, circo, poesia e cultura popular para abordar temas como memória, afetos, sonhos e identidade. Produzido por Clarissa Siqueira e dirigido por Odília Nunes, o espetáculo foi criado em 2021, durante a pandemia, e desde então vem circulando por diferentes regiões do país.

A programação foi pensada especialmente para alcançar moradores de áreas rurais, levando a produção artística para locais que normalmente ficam fora dos circuitos culturais concentrados nas cidades. 

A segunda sessão acontece na sexta-feira (14), às 9h, no Sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, local reconhecido por ser onde nasceu Lampião. No sábado (15), às 16h, o espetáculo chega ao Quilombo Águas Claras, em Triunfo. No domingo (16), também às 16h, a apresentação será no Quilombo Leitão da Carapuça, em Afogados da Ingazeira.

A circulação é retomada na quarta-feira (19), às 10h, no Sítio Jorge, em Ingazeira. No dia seguinte, quinta-feira (20), às 19h, “Caminhos” será apresentado no Sítio da Matinha, em Carnaíba. A programação continua na sexta-feira (21), às 19h, no Povoado Brejinho, em Tabira, e termina no sábado (22), às 19h, no Povoado Curralinho, em São José do Egito.

“A gente vem circulando por comunidades rurais desde 2021, tanto em Pernambuco quanto em outros estados do Brasil. Com isso, constatamos que a maioria dos moradores dos locais por onde passamos — sejam crianças, adultos ou idosos — nunca tinha assistido a um espetáculo de teatro ou circo na vida. Dessa forma, passamos a defender uma bandeira em nossa trajetória: chegar a comunidades historicamente afastadas dos circuitos culturais regulares, que se concentram em sua maioria nos centros urbanos”, destaca Clarissa Siqueira.

A história apresentada em “Caminhos” parte da trajetória pessoal de Pedro Milhomens e de suas lembranças familiares. Nascido no Sítio Minadouro, em Ingazeira, o artista é gastrônomo de formação e utiliza uma receita ancestral de sua avó como elemento central da encenação.

Durante o espetáculo, Sequinho prepara um bolo ao vivo e transforma utensílios e objetos da cozinha em elementos para números de mágica, malabares e poesia. A proposta aproxima a experiência artística das memórias afetivas e das tradições presentes no interior do Nordeste.

A dramaturgia também dialoga diretamente com a cultura do Pajeú. A poesia criada por Milhomens a partir de uma provocação da diretora Odília Nunes serve como base para a construção da narrativa, que acompanha a trajetória do personagem entre o sonho de viver da arte e as experiências acumuladas na estrada.

“Caminhos vem mostrar que nossa profissão deve ir além de ‘um ganha pão’, tem que ser um instrumento de realização; é uma oportunidade de reflexão sobre a sociedade, suas relações e sua forma de comportamento”, afirma Pedro Milhomens.

Com mais de dez anos de estrada a bordo da Cirkombi, o Palhaço Sequinho já levou “Caminhos” a mais de dez estados brasileiros. O espetáculo também integrou eventos como Pernambuco Meu País e o Festival de Inverno de Garanhuns, além de ter participado das Mostras BNB de Cênicas e Sesc de Artes para a infância. A montagem recebeu ainda três prêmios no Janeiro de Grandes Espetáculos.

A circulação pelo Pajeú busca, assim, aproximar a linguagem das artes de rua das comunidades onde as tradições populares permanecem como importantes espaços de convivência e construção de identidade. A expectativa do projeto é estimular, por meio do espetáculo, o contato do público com suas próprias histórias, memórias e ancestralidades.

A iniciativa é incentivada pelo Funcultura, por meio da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, e conta com parceria do projeto No Meu Terreiro Tem Arte.

Editado por: Rostand Tiago

|

Newsletter