A mentira usada pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para inflar seu currículo pegou mal até mesmo entre políticos da direita. Flávio divulgou a informação falsa de que teria um título de pós-graduação em ciências políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A informação estava publicada no site da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no perfil profissional do senador no LinkedIn e no site do Senado Federal. A própria universidade negou que o senador tenha sido aluno da instituição.
Em nota, a equipe de Flávio disse que as informações incorretas teriam sido “possivelmente extraídas de páginas como a Wikipedia” e informou ter solicitado a retificação.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), avalia que o episódio, além de constrangedor, mostra o conforto do candidato com a mentira. “É uma tentativa de falsidade ideológica e é algo grave, principalmente considerando o lugar ocupado, no caso dele, um presidenciável. Isso mostra o perfil que ele tem caso venha a ser eleito presidente”, afirma.
A especialista defende algum tipo de responsabilização. “Se eu, como acadêmica, faço isso, eu seria submetida ao rigor da lei. Essa métrica deveria valer para esse caso”, pontua. “Contudo, a gente sabe que vai ser minimizado, até porque a gente sabe que Flávio tem um público muito cativo”, observa.
Mentir em currículos não é exatamente uma novidade para o campo da extrema direita. Em 2019, o então governador Wilson Witzel registrou na Plataforma Lattes que fazia doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF) com uma etapa de intercâmbio na Universidade Harvard. No mesmo ano, a então ministra Damares Alves afirmou ter concluído um mestrado que nunca fez. Em 2020, foi a vez do ministro da Educação de Jair Bolsonaro, Carlos Alberto Decotelli, inventar um título que teria sido obtido na Universidade de Rosário, na Argentina, e tentar cavar uma pós-graduação na Alemanha. Todos os casos foram prontamente desmentidos pelas instituições citadas.
Para Santana, as mentiras buscam mostrar competência para assumir funções públicas. “E são pessoas críticas, inclusive à formação, ao ensino e até à universidade pública”, ironiza.
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