A Livraria Expressão Popular, no centro de São Paulo, comemora seus 16 anos de existência como ponto de encontro, de formação, de cultura e de debate político neste sábado (15), promovendo uma festa com música e culinária cubana. O evento homenageia também Fidel Castro, relembrando o centenário do nascimento do líder revolucionário.
“Queremos que esse dia, mais uma vez, traga a ideia que cultivamos desde o início da livraria: que seja um espaço em que a gente se encontre, em que pessoas que acreditam em uma sociedade melhor, que lutam por um mundo mais justo, possam se encontrar, trocar ideias, falar sobre livros, ouvir boa música, comer uma boa comida cubana e fortalecer o nosso espírito de solidariedade”, destaca o coordenador editorial da Expressão Popular, Miguel Yoshida.
Na programação, estão o lançamento de dois livros: “Fidel Castro – uma biografia para jovens”, do escritor Roniwalter Jatobá, e “Fidel Castro – Uma revolução só pode ser filha da cultura e das ideias”, uma compilação feita pelo diretor do Centro Fidel Castro Ruz, René González Barrios, que traz trechos de discursos do Fidel em torno de temas como cultura e educação.
Entre as atrações musicais, o show “Cuba Vive”, preparado especialmente para a festa pela cantora Indiana Nomma, e a discotecagem do DJ Levi, com músicas latinas e de luta. No fim da tarde, vai ter bolo e parabéns para a livraria.
Nascida em 2010, quando a editora Expressão Popular já tinha 11 anos, a livraria foi inaugurada em um antigo endereço na rua da Abolição, em 13 de agosto daquele ano, data de aniversário de Fidel.
Com o objetivo de formação de militância e debate político, o espaço busca reunir um catálogo progressista e de esquerda da própria editora e de outras, além de promover rodas de conversa, lançamentos de livros e debates.
“A livraria foi criada nessa perspectiva de poder reunir diversas editoras que tivessem livros naquilo que nós chamamos de pensamento crítico. Um pensamento que seja crítico à realidade estabelecida e possibilite formas de organização, de construir alternativas à sociedade em que a gente vive”, aponta Yoshida, lembrando uma expressão muito utilizada por Fidel: “batalha de ideias”.
A mudança de endereço da livraria aconteceu após a pandemia, em 2024, quando passou a funcionar em conjunto com o Armazém do Campo, na Alameda Nothmann, próximo a duas estações de metrô.
Desde então, ela tem buscado aumentar a relação com o território por meio de parcerias com outros espaços da reforma agrária popular próximos, o Espaço Cultural Elsa Soares e o Gelado do Campo. “Nossa perspectiva é conseguir ser um espaço de encontro e de debate para a população de São Paulo, mas principalmente para quem está no entorno”, segue Yoshida.
No espaço novo, a livraria intensificou a promoção de grupos de leitura e de estudos, rodas de conversa, shows, festas e outras atividades, sempre em busca de ampliar as relações.
“É também uma forma de a gente combater uma das coisas que está na raiz do neoliberalismo, que é esse individualismo extremo. Então, o espaço da livraria é um espaço para a gente poder fortalecer e recuperar a nossa vida coletiva. Que a gente consiga romper a casca do individualismo que o neoliberalismo impõe pra gente.”
Nesses 16 anos, muita gente passou pela livraria. Em 2026, um dos destaques foi o lançamento da autobiografia do Nei Lopes, com a presença do sambista, em um dia de com feijoada, bate-papo e roda de samba com o Instituto Gloria ao Samba, do qual o Nei Lopes participou. Outro exemplo dessa mistura de expressões nos eventos foi a biografia “Noel Rosa – poeta da vila, cronista do Brasil”, de Luiz Ricardo Leitão, que também contou com uma roda de samba.
Estiveram também em eventos na livraria personalidades como o professor José Paulo Netto, um dos maiores marxistas vivos no Brasil; o editor Antônio Roberto Bertelli; o militante espanhol Fernando Claudín Pontes; o dirigente do Partido Comunista Português na Revolução dos Cravos, Álvaro Cunha; e o diretor do Instituto Tricontinental, o indiano Vijay Prashad, importante pensador das questões do Sul Global.
Para os próximos anos, a livraria tem planos de expandir a circulação de ideias, com parcerias com editoras independentes de outros estados brasileiros, além de estrangeiras.
“Uma das grandes dificuldades do mercado editorial brasileiro é a questão da distribuição dos livros. Nós temos várias iniciativas editoriais independentes e progressistas que, às vezes, esbarram nessa questão da distribuição. Então, nós queremos que a nossa livraria seja um espaço onde essas editoras estejam presentes, onde a gente consiga ter a diversidade regional brasileira em termos editoriais e também estrangeira”.
Com essa intenção, a Expressão Popular Editora é integrante da União Internacional das Editoras de Esquerda, que reúne mais de 40 editoras pelo mundo.
Serviço
O quê? 16 anos da Livraria Expressão Popular – com comida cubana e show “Cuba Vive”.
Quando? Sábado, 15 de agosto, a partir das 12h.
Onde? Livraria Expressão Popular — Al. Nothmann, 806, Campos Elíseos, São Paulo.
Entrada gratuita.
