Apenas 34% da chamada Geração Z dos Estados Unidos considera o desenvolvimento da China uma “ameaça crítica” ao país, índice que está abaixo do nível registrado antes da pandemia e o menor entre todas as gerações avaliadas, segundo pesquisa publicada em 12 de agosto pelo Conselho de Chicago sobre Assuntos Globais (CCAG). A pesquisa considera a Geração Z quem nasceu entre 1997 e 2013.
O dado reúne duas pesquisas de opinião feitas pela empresa Ipsos: uma com 1.025 entrevistados, feita em março de 2026 em parceria com a Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos (NPR, na sigla em inglês), e outra com 2.148 participantes, realizada em julho de 2025.
Entre os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), 62% consideram o avanço da China uma ameaça crítica; na Geração X (nascidos entre 1965 e 1980), o índice é de 56%; entre os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996), 43%. O índice da Geração Z caiu de 50% em 2020 para 34% em 2026, e foi o único grupo cuja percepção de ameaça foi menor que a dos registros anteriores à pandemia, segundo o estudo.
Entre os integrantes da geração mais jovem, 25% afirmam que a China não representa ameaça alguma ao país. Essa cifra cai para 16% entre os Millennials, 11% entre a Geração X e 4% entre os Boomers.
A pesquisa também abordou o posicionamento em relação à cooperação com a China. Seis em cada dez integrantes da Geração Z (59%) e dos Millennials (58%) são favoráveis a uma política de “cooperação e relação amistosa” com a China. No caso dos Boomers e da Geração X, a cifra cai para 48%.
Os índices dos dois grupos mais jovens subiram mais de 20 pontos percentuais em relação a 2024.
Tarifas e estudantes chineses
Sete em cada dez Millennials (69%) e integrantes da Geração Z (69%) rejeitam a redução do comércio bilateral com a China, e dois terços de cada geração (66%) são contrários ao aumento de tarifas sobre produtos importados do país, segundo o estudo. Sobre o impacto das tarifas que já estão em vigor, 76% dos entrevistados no geral afirmam que as medidas têm efeito negativo no custo de vida nos Estados Unidos. A proporção vai de 71% entre os Boomers a 78% entre Millennials e Geração Z.
Enquanto 56% dos Boomers e 63% da Geração X apoiam a limitação do número de estudantes chineses nas universidades dos EUA, 64% da Geração Z e 65% dos Millennials são contra essa medida.
No Congresso estadunidense, dois projetos de lei propõem restrições severas à emissão de vistos para estudantes de países que o governo estadunidense classifica como “adversários”. O “Stop CCP VISAs Act” (CCP, em referência ao Partido Comunista da China), apresentado em março de 2025 pelo deputado Riley Moore (Republicano, Virgínia Ocidental), propõe a proibição total de vistos F, J e M para cidadãos chineses.
O “Student Visa Integrity Act“, do senador Tommy Tuberville (Republicano, Alabama), propõe vetar estudantes da China, Cuba, Irã, Coreia do Norte, Rússia e Venezuela. As propostas se somam à Proclamação Presidencial 10.043, assinada por Trump em maio de 2020 e mantida pelo governo Biden, que suspendeu vistos F e J para pesquisadores e estudantes de pós-graduação chineses supostamente ligados a entidades que implementam a estratégia de fusão civil-militar da China.
O relatório ainda indica que, com o avanço da participação das gerações mais jovens nas eleições dos EUA, a brecha entre a política de Washington em relação à China e a percepção popular em relação ao país pode continuar aumentando.
